Há uma guerra na refinaria de Sines

Há uma guerra na refinaria de Sines
Margarida Davim 18 de novembro

Sines é hoje palco de uma manifestação pelo clima. Os ambientalistas da Climáximo lutam pela descarbonização, sindicato e trabalhadores atacam "posições alarmistas e propostas bombásticas" de encerramento da refinaria. Galp garante "transformação" para "novas soluções sustentáveis".

À espera dos autocarros que, de Norte a Sul, transportam ambientalistas da Climáximo para Sines, os trabalhadores da refinaria olham para a manifestação com desconfiança. Rogério Silva, coordenador do sindicato da CGTP Fiequimetal, diz à SÁBADO que esta é "uma aventura" que põe em causa não só postos de trabalho diretos e indiretos, mas pode ter consequências graves para a economia portuguesa e até "custos ambientais".

"Estão a dar para o peditório de um caminho ruinoso", defende o sindicalista, que alerta para os perigos de Portugal encerrar aquela que é agora a única refinaria do País, depois do encerramento de Matosinhos. "As consequências estão a começar", avisa Rogério Silva, lembrando que "um pequeno incidente" na refinaria de Sines obrigou o Portugal a "importar 40 mil toneladas de gasóleo".

"Como é evidente, isso tem uma pegada carbónica grande. O combustível tem de ser transportado", nota o dirigente sindical, frisando que o consumo de combustíveis fósseis ainda não diminuiu o suficiente para justificar o encerramento de todas as refinarias em território nacional. "A transição não se faz do dia para a noite", diz, ao mesmo tempo que questiona a forma como Portugal parece querer fazer mais do outros países mais poluentes. "A Alemanha há um ano e meio inaugurou uma central a carvão idênticas às nossas que já eram de ponta", aponta.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais