Dia 6, onde está o melhor Centeno?

Dia 6, onde está o melhor Centeno?
Eduardo Dâmaso 26 de março de 2020

Pode haver melhores, mas este é o que está de turno num dos lemes do barco que enfrenta a tormenta.

A minha emergência de hoje, para lá de todas as outras que são correntes nestes dias que vivemos, estava em ouvir Mário Centeno. Sabia que o pretexto para uma declaração é o excedente histórico de 0,2 do PIB. Mas também sabia que, apesar da muita importância de termos mais em caixa do que gastamos, o que tanto vale para um país como as nossas finanças pessoais, isso é quase uma novidade anacrónica. O tempo voou do dia 15 de Março para cá e esse pé-de-meia há-de voar enquanto o Diabo esfrega um olho. Ao ouvi-lo e vê-lo, de olheiras mais cavadas do que o habitual e de cabelos cada vez mais brancos, pensei para mim: que raio, precisamos, como nunca, deste homem no seu melhor. Pode haver melhores, mas este é o que está de turno num dos lemes do barco que enfrenta a tormenta. A emergência (e a necessidade) de ter um Centeno no seu melhor é vital. Precisamos agora que ele nos acuda, provando que é um mago nas soluções de financiamento directo da economia, na dita ‘injecção de liquidez’, como os financeiros e economistas gostam de dizer, e não apenas no deve e haver da consolidação orçamental.

Centeno tem sido um bom ministro das Finanças. Homem sério, de poucas palavras e nenhumas aventuras. Mas à custa do seu êxito cá dentro e lá fora, o Serviço Nacional de Saúde ficou sem anéis e sem dedos. Instituições essenciais para a consolidação e defesa de bens e valores essenciais para a democracia e os portugueses, na Saúde, Educação, Segurança e Agricultura, foram esmagadas pela obsessão orçamental. Primeiro pela loucura de Sócrates, depois pela austeridade dos governos PSD/CDS, agora pelas cativações. Agora, queremos mesmo é ouvir o que tem para nos dizer sobre o futuro. E, aí, na conferência de imprensa de hoje não deixou cair grande coisa. A não ser a esperança que a crise sanitária passe rápido e que no segundo semestre a economia arranque. Se não chegarmos lá quase mortos, arrasados pelo desemprego e por uma baixa radical de rendimento. Hoje, voltou a não dizer nada sobre bancos, financiamento directo da economia, adiamento de impostos como o IMI e o IRS, o que seria um gigantesco alívio para a classe média-baixa. Ficámos apenas com a esperança que a pandemia passe e a crise seja temporária. Pouco, muito pouco! É preciso que este ponta-de-lança se aproxime um bocadinho mais da boa forma que o primeiro-ministro exibe. E que os dois voltem a ser uma dupla temível, capaz de salvar este País da sua maior crise de sempre desde a II Guerra Mundial. Onde está o melhor Centeno?

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