Covid19: "As pessoas só estarão à vontade quando houver uma vacina"

O presidente da Caixa Geral de Depósitos estimou que as pessoas só estarão à vontade para consumir "quando houver uma vacina", considerando que a crise poderá ser pior do que o esperado.

O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, estimou hoje que as pessoas só estarão à vontade para consumir "quando houver uma vacina" para a covid-19, considerando que a crise poderá ser pior do que o esperado.

Na sede do banco, em Lisboa, e respondendo a uma questão sobre as imparidades previstas pela CGD para o ano de 2020 como resultado da crise, Paulo Macedo afirmou que parte delas dependem das previsões macroeconómicas e parte delas são imprevisíveis.

"Há o fator saúde. Há uma parte da quebra do PIB [Produto Interno Bruto] que nós sabemos: quanto tempo estivemos fechados, sabemos quanto é que isso vai impactar. Há outra parte que é: volta a fechar? Há segunda vaga? Vai estar fechado mais um mês? As pessoas vão ter todas medo?", questionou Paulo Macedo.

O presidente do banco público considerou que só se vai "retomar a aviação, o turismo", entre outras atividades, "quando houver uma vacina".

"Até lá vamos melhorar, em vez de ter a oferta fechada, vamos ter a oferta aberta com menor capacidade e vamos ter mais alguma procura, mas a procura a sério... as pessoas só se vão sentir à vontade para estar nos restaurantes, aviões, viajarem, irem a conferências e terem a sua atividade normal quando houver uma vacina", disse.

"O que nós achamos é que se calhar a crise pode ser muito pior. Temos a Caixa com um posicionamento claramente melhor nos mais diversos rácios", afirmou Paulo Macedo, cujo banco que dirige "espera aumentar as imparidades" e que "vai ser decisivo o quarto trimestre" do ano.

O presidente da CGD considerou ainda que as medidas tomadas a nível europeu "vão no sítio certo" e que é necessário "um pacote de medidas, em termos europeus, em termos solidários para os Estados não acrescentarem enormes dívidas às suas dívidas".

"A pior coisa que nos podia acontecer eram os juros da dívida pública dispararem e, com isso, os encargos do Estado ficarem com um montante muitíssimo maior, [e] em vez de serem para apoiar empresas, as famílias e os desempregados, fossem para pagar mais juros", defendeu.

A Caixa Geral de Depósitos teve lucros de 86,2 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, menos 31,6% do que os 126,1 milhões de euros de igual período do ano passado, informou hoje.

Segundo as contas enviadas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), entre janeiro e março, o banco público reforçou em 60 milhões de euros as imparidades de crédito e provisão para garantias bancárias, o que justifica com a "antecipação dos efeitos expectáveis da crise económica".

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