“É um privilégio poder contar com a sua sabedoria e com a sua inabalável fidelidade aos valores que nos unem”, disse.
O secretário-geral do PS considerou Manuel Alegre “um exemplo vivo de que a política se faz com convicção, ética e poesia”, saudando a voz “sempre livre e sempre firme” do histórico socialista que faz hoje 90 anos.
Luís Montenegro e Manuel Alegre juntos num evento em PortugalTIAGO PETINGA/LUSA
“Raras vezes a clareza do pensamento político se uniu tão bem à beleza da palavra como na vida e obra de Manuel Alegre, que hoje completa 90 anos”, disse José Luís Carneiro numa publicação nas suas redes sociais.
Para o líder do PS, “mais do que uma referência política ou um vulto maior da literatura”, Manuel Alegre “é um exemplo vivo de que a política se faz com convicção, ética e poesia”.
“É um privilégio poder contar com a sua sabedoria e com a sua inabalável fidelidade aos valores que nos unem. Parabéns, Manuel Alegre. Que continuemos a ouvir a tua voz, sempre livre e sempre firme!”, pode ler-se ainda.
Esta noite, em Lisboa, a vida do presidente honorário do PS será homenageada num jantar de amigos e familiares que junta mais de uma centena de pessoas num “hino à amizade, admiração e cidadania” de uma “voz da resistência”.
Em declarações à agência Lusa, a ex-ministra e antiga candidata presidencial Maria de Belém Roseira explicou que este jantar foi “uma iniciativa espontânea” de um conjunto de pessoas que quiserem celebrar Manuel Alegre “em nome da amizade e da cidadania”.
Sem querer antecipar nomes de participantes, mas referindo que rapidamente ficou com lotação esgotada este jantar que juntará hoje mais de 100 pessoas num hotel em Lisboa, Maria de Belém adiantou que muitos destes são de diferentes quadrantes políticos, e não apenas do PS, de distintas áreas da sociedade e de vários pontos do país.
Manuel Alegre nasceu a 12 de Maio de 1936 em Águeda, foi estudante universitário em Coimbra, admitiu vir a ser advogado, mas a luta académica afastou-o desse seu objetivo de juventude.
Foi o fado, a boémia, o teatro através da fundação do CITAC - Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra - e do TEUC - Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra -, as serenatas e a contestação que acabaram por ter, nessa altura, a primazia na vida de Manuel Alegre.
No seu longo percurso político, o escritor e poeta, que se destacou na luta contra o regime do Estado Novo, entrou para o PS em 1974, foi secretário de Estado de Mário Soares, deputado em várias legislaturas e candidato presidencial nas eleições de 2006 e 2011, em que perdeu diante de Aníbal Cavaco Silva.
Fez serviço militar, foi mobilizado para a guerra colonial em Angola, esteve na prisão, teve residência fixa, esteve na clandestinidade e no exílio em Paris e na Argélia durante o Estado Novo.
Manuel Alegre, que regressou a Portugal em 02 de maio de 1974, após a revolução de Abril, começou por fundar os "Centros Populares 25 de Abril" e acabou por aderir ainda nesse ano ao PS.
Em 25 de novembro de 1975 fez a ponte entre o PS e o "Grupo dos Nove" e, em 1976, estabeleceu o primeiro contacto com o general Ramalho Eanes para que este fosse candidato presidencial.
Deputado constituinte em 1975, pelo grupo parlamentar socialista, desempenhou as funções de Secretário de Estado da Comunicação Social no I Governo Constitucional de que foi porta-voz, tendo sido eleito em outubro de 1995 vice-presidente da Assembleia da República.
Foi deputado ao longo de 34 anos, em 2004 candidatou-se a secretário-geral do PS, mas perdeu diante de José Sócrates. Entre 2005 e 2016, foi membro do Conselho de Estado, eleito pela Assembleia da República, em representação do PS, lugar que retomou em 2022.
Carneiro elogia Alegre como "exemplo vivo de que a política se faz com convicção, ética e poesia”
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