Várias moradias da rua Garcia de Orta foram vendidas a uma empresa de negócios imobiliários. Os moradores foram notificados para sair no final dos contratos, que vencem entre junho e agosto.
O vice-presidente da Câmara de Gaia anunciou esta terça-feira a criação de um grupo de trabalho para acompanhar e encontrar "dentro do possível" uma solução para os moradores da rua Garcia da Orta, confrontados com uma ordem de despejo.
Vários moradores, com baixos rendimentos, têm pouco tempo para procurar uma nova casaGustavo Soares/Unsplash
Durante a reunião pública do executivo municipal, e após vários moradores daquela rua pedirem a ajuda e intervenção da autarquia para não ficarem sem casa, Firmino Pereira, que liderou a reunião, revelou que o grupo de trabalho é constituído pelo vereador adjunto do presidente para o Urbanismo, o diretor municipal da Habitação e um colaborador da empresa municipal Gaiurb.
"A missão deste grupo é de acompanhar e encontrar dentro do possível uma solução para as 10 famílias desta rua", referiu o autarca, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL. Segundo Firmino Pereira, nesta situação vai ser preciso "usar o coração e o bom senso" para ajudar estas famílias.
Dizendo que os moradores têm "total solidariedade" da câmara, o vice-presidente destacou que seis das 10 famílias estão inscritas na Gaiurb para atribuição de habitação, mas o elevado número de pedidos não permite a entrega imediata de casas. "Mas, não os vamos deixar desprotegidos", garantiu.
Firmino Pereira assinalou que o caso é dramático, mas não é caso único porque, hoje em dia, todos os dias há notícias de transações imobiliárias que conduzem a situações de despejo. "É mais uma situação, mas tem uma proporção maior porque atinge 10 famílias", ressalvou. Além disso, o autarca explicou que, nestas situações, a câmara nunca usou o direito de preferência.
No final de maio, o jornal Público denunciou que, no início deste ano, as 13 moradias da rua Garcia de Orta foram vendidas a uma empresa de negócios imobiliários com sede em Torre de Moncorvo e os moradores - na maioria pessoas reformadas ou com baixos rendimentos - receberam a notificação de que deveriam sair no final dos contratos, o que deve acontecer entre este mês e agosto.
O diário relatou ainda que a autarquia podia ter adquirido as habitações por 1,2 milhões de euros, mas optou por não o fazer.
Usando da palavra, Rafaela Azevedo, moradora naquela rua, contou que têm três filhos menores e que está, há cinco anos, na lista de espera para a atribuição de casa. "E agora com esta ordem de despejo para onde vou viver com os meus filhos? Para debaixo da ponte?", questionou.
Por seu lado, Arminda Anacleto relatou que, dado a idade e a falta de possibilidades económicas, não tem condições para comprar a casa. "Dê-nos a mão. Precisamos da vossa ajuda", frisou.
Descrevendo uma situação dramática, outro dos moradores António Varejão alertou que faltam 15 dias para irem para a rua. "Trataram-nos como trapos velhos, as pessoas estão desesperadas", confessou.
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