Sábado – Pense por si

SIGA-NOS NO WHATSAPP
Não perca as grandes histórias da SÁBADO

Borra de café pode tornar-se matéria-prima para a produção de biocombustível

É uma boa notícia para a economia circular e nasce de uma investigação desenvolvida pela Universidade Rovira i Virgili, em Espanha.

As borras de café, que geralmente acabam no lixo, podem ser transformadas em matéria-prima para a produção de biocombustível, segundo um estudo que avaliou como extrair o óleo de forma eficiente, preservando o restante material vegetal para processos subsequentes.

As borras de café têm potencial energético
As borras de café têm potencial energético Elias Shariff/Pixabay

A investigação da Universidade Rovira i Virgili (URV), publicada na revista científica 'Biomass and Bioenergy', centra-se no resíduo do café usado, que contém aproximadamente 15% de lípidos, ou gorduras que podem servir de base para a obtenção de biodiesel.

Os investigadores estudaram como três fatores-chave influenciam a extração deste óleo: a temperatura, o tempo de processamento e a proporção de solvente para borras de café.

Para tal, utilizaram o n-hexano, um solvente habitualmente utilizado na extração de gorduras, e aplicaram um planeamento experimental que permitiu analisar a combinação de todas estas variáveis.

"Verificamos que as condições ótimas são de 45°C, durante 60 minutos, e com uma proporção de 35 mililitros de hexano por grama de resíduo seco", explicou uma das autoras do estudo, Magdalena Constantí.

Segundo a investigação, com estes parâmetros, o processo permite a recuperação de aproximadamente 90% do óleo obtido por extração Soxhlet, uma técnica laboratorial muito utilizada e considerada uma referência por oferecer elevados rendimentos, mas que requer mais tempo e energia e não é tão adequada para aplicação industrial.

Para além da quantidade de óleo recuperado, o estudo destaca a qualidade do extrato: o processo otimizado gerou um óleo com uma fração de impurezas muito baixa, de 0,3%, enquanto que com a extração Soxhlet essa fração atingiu os 3,9%.

A análise da composição lipídica mostrou que o perfil de ácidos gordos se manteve estável nas diferentes condições testadas e foi dominado pelos ácidos linoleico e palmítico, dois componentes relevantes para avaliar o potencial deste óleo como matéria-prima para a produção de biodiesel.

"No nosso estudo, também demonstrámos que a extração do óleo não compromete necessariamente o aproveitamento do restante resíduo", observou Francesc Medina, investigador do Departamento de Engenharia Química da URV.

Segundo os autores, esta proposta insere-se no âmbito da economia circular e da necessidade de desenvolver combustíveis renováveis para setores de difícil eletrificação, como os transportes pesados.

Artigos Relacionados