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Ambientalistas pedem recolha de óleos alimentares para substituir combustíveis

Lusa 08 de abril de 2026 às 12:47
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Se este potencial doméstico passar a ser captado, a Zero estima que Portugal pode produzir cerca de 25 a 30 milhões de litros de biocombustível por ano, 25 a 30 vezes mais do que produz atualmente.

A associação ambientalista Zero apelou esta quarta-feira à recolha de óleos alimentares usados (OAU) como recurso energético de substituição dos combustíveis fósseis, alertando que atualmente se aproveita menos de 4% do potencial deste recurso.

Combustíveis Fósseis
Combustíveis Fósseis DR

Em comunicado, a Associação Sistema Terrestre Sustentável (ZERO) alertou que Portugal está a desperdiçar um "recurso com valor ambiental, económico e energético num momento internacional instável" que põe em destaque a dependência dos combustíveis fósseis.

Os OAU são a matéria-prima mais sustentável para produzir biocombustíveis, que podem substituir a importação de combustíveis fósseis no transporte rodoviário, marítimo e aéreo, o que a Zero classifica como "uma irresponsabilidade que o país não pode aceitar".

Segundo a associação, a recolha municipal de OAU no setor doméstico representar menos de 4% do potencial estimado.

"É um falhanço grave da política pública, uma perda de matéria-prima valiosa e mais uma dependência evitável", alertou.

Se este potencial doméstico passar a ser captado, a Zero estima que Portugal pode produzir cerca de 25 a 30 milhões de litros de biocombustível por ano, 25 a 30 vezes mais do que produz atualmente.

Estes óleos "não devem ser despejados no lava-loiça, na sanita nem no esgoto", porque isto pode aumentar os problemas nos sistemas de drenagem e tratamento de águas residuais e agravar a poluição da água, gerando custos evitáveis para os serviços públicos, salientou a Zero no comunicado.

Considerando que Portugal já tem a capacidade industrial e empresarial para valorizar este recurso, a ZERO propôs que as pessoas "guardem o óleo alimentar usado em plásticos fechados e entreguem em oleões", pedindo também que os "municípios reforcem de forma urgente a rede de oleões" e que o país trate os OAU como um "fluxo prioritário de economia circular e de segurança material".

Os dados mais recentes obtidos pela organização não-governamental (ONG) em conjunto com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) mostram que em Portugal "são geradas entre 43 mil e 65 mil toneladas de OAU por ano", das quais cerca de 62% têm origem no setor doméstico.

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