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Acidente/Elevador: Chega distrai-se e moção do BE para exigir respostas é aprovada na AML

Chega queria votar contra, mas deputada Margarida Bentes Penedo confessou "distração". Um dos pontos da moção passa pelo cumprimento da concretização de um mecanismo municipal de apoio às vítimas e às famílias.

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou esta terça-feira uma moção do BE para exigir respostas da Câmara quanto à tragédia do elevador da Glória, com votos contra de PSD/CDS-PP/IL, e beneficiando da distração do Chega que queria votar contra.

Elevador da Glória em funcionamento
Elevador da Glória em funcionamento LUSA

"Nós temos uma alteração de sentido de voto [...]. Pedimos desculpa pela nossa própria distração quando foi a parte das votações", avisou a deputada do Chega Margarida Bentes Penedo, dirigindo-se ao presidente da AML, André Moz Caldas (PS), a quem comunicou que o Chega "queria votar contra" a moção do BE sobre o acidente do elevador da Glória.

Juntando o Chega aos votos contra de PSD/CDS-PP/IL, a moção do BE seria rejeitada, no entanto, depois de proclamado o resultado de uma votação, o mesmo não é alterado, procedimento que já acontece há vários mandatos na AML, podendo os partidos juntarem uma declaração de voto a clarificarem o sentido de voto.

No atual mandato 2025-2029, a AML é composta por uma maioria de direita, com 38 deputados de PSD/CDS-PP/IL e Chega, contra 37 eleitos de partidos de esquerda, nomeadamente de PS, Livre, BE, PAN, PCP e PEV.

A moção do BE exige respostas da Câmara Municipal de Lisboa (CML), governada por PSD/CDS-PP/IL, quanto ao descarrilamento do elevador da Glória, que ocorreu há um ano, em 3 de setembro de 2025, e que provocou 16 vítimas mortais e 24 feridos, de 15 nacionalidades, sendo considerado o mais grave acidente ocorrido na história recente da cidade de Lisboa.

Apresentada pelo deputado do BE Rodrigo Machado, a moção pretende que a CML cumpra a concretização de um mecanismo municipal de apoio às vítimas e às famílias, complementar à atuação das seguradoras, bem como o acompanhamento jurídico, social e psicológico permanente, incluindo às vítimas e famílias residentes no estrangeiro.

Outros dos pontos da proposta são para o esclarecimento do ponto de situação dos processos indemnizatórios, a publicação integral das auditorias concluídas e dos respetivos termos de referência e "uma auditoria específica aos contratos de manutenção celebrados com a MNTC", incluindo a análise do preço "anormalmente baixo, cerca de 46% inferior ao preço-base definido no procedimento".

Justificando o voto contra da IL, Pedro Bugarin considerou que qualquer iniciativa da AML sobre a tragédia do elevador da Glória "é extemporânea" enquanto não é conhecido o relatório final de quem investiga o acidente, o que se prevê até ao final do primeiro trimestre de 2027.

Já o líder da bancada do PS, Hugo Gaspar, criticou a falta de intervenção da AML quanto ao acidente, lembrando que este órgão municipal tem como competência fiscalizar a ação da CML, e realçando que, no entanto, tudo o que os deputados municipais sabem sobre a tragédia do elevador da Glória é pela comunicação social.

O socialista voltou a insistir na proposta do PS para a criação de uma comissão de acompanhamento na AML sobre o acidente, apesar de a mesma iniciativa ter sido rejeitada há meses, com os votos contra de PSD/CDS-PP/IL.

"Recusar este instrumento de fiscalização é a única coisa difícil de explicar à cidade. É preciso dizer o que se está a passar nas forças políticas de direita desta Assembleia: há quem esteja, pelo próprio voto de veto, a passar a si mesmo um atestado de incapacidade", declarou Hugo Gaspar, acusando a governação PSD/CDS-PP/IL de "uma preocupação obsessiva em erguer um muro à volta do acidente", e destacando ainda "a hipocrisia" do Chega, que em setembro de 2025 pediu a demissão do presidente da CML, Carlos Moedas (PSD), através de uma moção de censura, mas, poucos meses depois, após as eleições autárquicas de outubro, "alinhou com a cortina de fumo para que o elevador da Glória não seja discutido".

Também o deputado João Monteiro, do Livre, criticou "o silêncio" da CML em dar respostas sobre o acidente.

A AML viabilizou também uma moção do PCP pelo cumprimento de prazos céleres na construção do Aeroporto Luís de Camões e desativação do Aeroporto Humberto Delgado, com os votos contra de IL, CDS-PP e Chega, tendo posteriormente o PSD expressado que o seu sentido de voto era contra.

Nesta reunião, a AML aprovou ainda recomendações do PEV pelo reforço das hortas urbanas e a valorização de projetos comunitários promotores de sustentabilidade na cidade e pela concretização do Monumento ao Bombeiro em Lisboa, do PCP para pôr fim à degradação da passagem pedonal subterrânea de Alcântara-Mar, do Chega para dignificar a mobilidade no Vale de Alcântara e do PS pela defesa da rede Gira de bicicletas públicas partilhadas.

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