A escola de nomeações da Juventude Socialista

A escola de nomeações da Juventude Socialista
Alexandre R. Malhado 12 de dezembro de 2020

Miguel Costa Matos será eleito, este fim de semana, como o novo secretário geral JS, uma estrutura que nos últimos anos serviu de plataforma para "tachos" na administração pública. Saiba quais.

O Congresso da Juventude Socialista começou esta sexta-feira e vai eleger o novo líder. O único candidato é Miguel Costa Matos, o deputado mais novo da Assembleia da República. Aos 26 anos, o jovem economista assume-se como uma voz progressista, ecologista e de esquerda. No passado, como a SÁBADO já revelou, a Juventude Socialista tem sido, porém, uma plataforma de acesso a cargos de nomeação política, desde a administração pública a gabinetes ministeriais. O artigo foi originalmente publicado dia 23 de julho.

É primeira vez que o novo administrador da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) trabalha em hospitais. Formado em Ciência Política e Relações Internacionais, o socialista Pedro Ruas tem sido nomeado para gabinetes autárquicos e ministeriais de executivos PS desde os seus tempos de jota. Em 2007, aos 27 anos, tornou-se adjunto do gabinete do Governo Civil de Setúbal. Dois anos depois, ascendeu a chefe de gabinete – nessa altura pertencia à comissão política da JS liderada por Duarte Cordeiro, hoje secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. Em 2009, no segundo governo de José Sócrates, foi nomeado para adjunto da ministra do Trabalho, Helena André. Em 2015, passou pela assessoria da presidência da Câmara Municipal do Montijo. Abandonou o cargo para ingressar em gabinetes dos Governos de António Costa. Este mês, aos 40 anos, troca a chefia de gabinete da secretaria de Estado da Igualdade, Rosa Monteiro, para ser vogal executivo de um hospital e com funções na área financeira.

Não é exemplo único. Com ou sem experiência, praticamente um terço dos ex-membros das cúpulas da JS desde 2002 têm feito carreira através de nomeações socialistas, seja na administração pública ou em gabinetes ministeriais. Foi a essa conclusão que a SÁBADO chegou ao analisar as listas do secretariado nacional da jota desde 2002.

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