Instituto de Ciências Sociais pede intervenção da Futurália no stand do Chega contra "retórica racista"
"Isto não é mesmo o Bangladesh (mas parece)" ou "Sorria, estamos a ser substituídos", numa referência à "teoria da Grande Substituição", são algumas das frases mais visíveis.
Investigadores da Universidade de Lisboa alertaram a organização da feira de educação Futurália para o risco de o stand do Chega usar o evento como plataforma para divulgar "mensagens discriminatórias" que promovem o racismo.
Na maior feira nacional sobre educação, que se realiza em Lisboa e recebe milhares de alunos e jovens de todo o país, a Juventude Chega montou um stand com mensagens que se aproximam de uma "retórica racista", alertou o Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa.
"Isto não é mesmo o Bangladesh (mas parece)" ou "Sorria, estamos a ser substituídos", numa referência à "teoria da Grande Substituição", são algumas das frases mais visíveis da banca instalada na Feira Internacional de Lisboa (FIL), que exibe também um mapa de Portugal com a percentagem de nascimentos de filhos de imigrantes em alguns concelhos do país.
O conteúdo das mensagens levaram o ICS a divulgar um "comunicado sobre os cartazes discriminatórios" dirigido à Comissão de Organização da Futurália e ao presidente do Conselho Estratégico da Futurália, Eduardo Marçal Grilo.
Reconhecendo a legitimidade de o partido participar na Futurália, o ICS considera ser "mesmo muito preocupante que mensagens de teor semelhante ou enquadradas em narrativas de exclusão estejam a ser exibidas num evento educativo frequentado por milhares de jovens".
"A defesa da pluralidade política não pode significar tolerância perante discursos racistas que atentem contra a dignidade e igualdade de pessoas", escrevem os elementos do Conselho de Gestão do ICS, Marina Costa Lobo, Sofia Aboim, Susana Matos Viegas e Vitor Sérgio Ferreira.
Os investigadores pedem à organização da Futurália que avalie a situação e que garanta que o evento "não serve de plataforma para a divulgação de mensagens discriminatórias ou que promovam o racismo contra comunidades específicas".
Na carta datada da quinta-feira, dia em que começou a Futurália, o ICS recorda ainda a recente decisão judicial que ordenou a retirada de cartazes da campanha presidencial de André Ventura dirigidos à comunidade cigana, "considerando-os discriminatórios e determinando a sua remoção no prazo de 24 horas, bem como a proibição de mensagens equivalentes no futuro".
A Futurália, "a maior feira nacional de educação, formação e empregabilidade do país", ocupa este ano três pavilhões da FIL e é "um dos maiores pontos de encontro entre estudantes, instituições de ensino e o mercado de trabalho", segundo informações divulgadas pela organização.
A Lusa questionou hoje a organização da feira sobre se iria tomar alguma medida em relação ao stand do Chega e aguarda resposta.
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