Secções
Entrar

Hantavírus: DGS não tem conhecimento de qualquer passageiro que queira vir para Portugal

Lusa 08 de maio de 2026 às 11:21

A DGS diz ainda que se mantém em articulação com as instituições europeias "para acompanhamento, em permanência, da situação" e que a gestão dos passageiros está a ser feita pelo Governo de Espanha.

A Direção-Geral da Saúde não tem conhecimento de qualquer passageiro do cruzeiro onde foi detetado um surto de hantavírus que queira ser recebido em Portugal e diz que o repatriamento será feito para os países de residência.

Imagens mostram interior de cruzeiro retido em Cabo Verde após surto de hantavírus AP

Numa resposta a perguntas da agência Lusa, a DGS sublinha que a única pessoa com nacionalidade portuguesa a bordo do navio, um elemento da tripulação, não reside em Portugal.

Acrescenta que todos os que estão a bordo do MV Hondius deverão chegar a Tenerife (Espanha) na noite de sábado para domingo e que o repatriamento será coordenado pelas autoridades nacionais, Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla inglesa) e Organização Mundial da Saúde (OMS).

A DGS diz ainda que se mantém em articulação com as instituições europeias "para acompanhamento, em permanência, da situação" e que a gestão dos passageiros está a ser feita pelo Governo de Espanha.

Na quinta-feira, numa nota divulgada no seu 'site', a DGS informou que o encaminhamento dos passageiros será feito para os respetivos países de residência.

As autoridades espanholas disseram na quinta-feira que, no caso de cidadãos da União Europeia (UE), o Governo espanhol, que ativou o mecanismo europeu de proteção civil para esta operação, vai propor a cada Estado-membro que faça a repatriação dos seus cidadãos nacionais.

Se for preciso, por impossibilidade de algum Estado, a Comissão Europeia assumirá a transferência, acrescentaram.

Quanto às pessoas de países fora da UE, estão ainda a decorrer contactos e reuniões através do Ministério dos Negócios Estrangeiros "para coordenar" os repatriamentos, informou o Ministério da Administração Interna espanhol, numa informação enviada aos jornalistas.

A secretária-geral da Proteção Civil de Espanha, Virginia Barcones, disse na quinta-feira que, tanto no caso de países europeus como de outros de fora da União Europeia que por algum motivo não enviem aviões próprios, os Países Baixos assumirão os repatriamentos, sobretudo da tripulação do navio, que tem bandeira neerlandesa.

A menos que tenham sintomas de doença, todas as pessoas serão repatriadas a partir das Canárias e só sairão do barco quando os aviões em que serão transportadas já estiveram no aeroporto, para que possam entrar de imediato nas aeronaves.

Numa nota divulgada na quinta-feira à tarde, a DGS disse que, face à evidência atual e, à data, avalia o risco para residentes em Portugal como muito baixo, não se esperando transmissão generalizada.

Na conferência de imprensa do Conselho de Ministros, na quinta-feira, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse que o Governo português e a DGS estão a receber informação "hora a hora".

A governante recordou que a Organização Mundial da Saúde e o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) referem que o risco para a população em geral de "disseminação do surto do navio cruzeiro Hondius é muito baixo".

"Todas as autoridades de saúde estão em contacto e isso é permanente", assegurou a ministra.

Até ao moento o surto já provocou três mortos.

O cruzeiro, que zarpou da Argentina com 149 pessoas a bordo, de 23 nacionalidades, fazia a rota entre Ushuaia (Argentina) e as ilhas Canárias, durante todo o mês de abril, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

Na quarta-feira, o ECDC admitiu como hipótese que alguns passageiros tenham sido expostos à estirpe Andes do vírus na Argentina, antes de embarcarem, e podem ter transmitido o vírus a outros passageiros já a bordo do navio.

Os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infetar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano.

Embora tenham sido identificadas numerosas espécies de hantavírus, apenas algumas estão associadas a infeção humana, nos quais podem causar doença grave, cujas manifestações clínicas dependem do tipo de vírus, que difere entre zonas geográficas

Artigos Relacionados
Artigos recomendados
As mais lidas