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Governo, UGT e patrões voltam a reunir-se esta terça-feira sobre alterações à lei laboral

Lusa 24 de março de 2026 às 07:57

O Executivo tem tido várias reuniões técnicas com as quatro confederações patronais (CIP, CCP, CTP e CAP) e a UGT para negociar as mais de 100 alterações à lei laboral.

O Governo volta a reunir-se esta terça-feira com a UGT e as quatro confederações empresariais sobre as alterações à lei laboral, num encontro que poderá ser decisivo para se perceber se há possibilidade de entendimento na Concertação Social.

Maria Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, posa para foto João Cortesão/MediaLivre

A reunião está agendada para as 09:00 no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em Lisboa, e surge depois de na semana passada Governo, UGT e confederações patronais terem retomado as negociações, após o apelo feito pelo Presidente da República na sequência da 'rutura' anunciada pelos patrões.

No final do encontro de segunda-feira da semana passada, que durou cerca de quatro horas, tanto a UGT como os 'patrões' realçaram ter havido "uma atitude diferente" e "maior disponibilidade" para se alcançar um acordo em sede de Concertação Social sobre as alterações à lei laboral.

Também a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, indicou que há aproximações e que a proposta que está em discussão "é bastante diferente da proposta inicial", não detalhando os avanços concretos.

O Governo tem tido várias reuniões técnicas com as quatro confederações patronais (CIP, CCP, CTP e CAP) e a UGT para negociar as mais de 100 alterações à lei laboral, sendo que a CGTP, que também tem assento nesta sede e chegou a apresentar uma contraproposta numa reunião bilateral a 03 de setembro, não tem sido convocada para os encontros, com o executivo a argumentar que a central sindical se colocou desde o início à margem das negociações ao pedir a retirada da proposta da discussão.

Desde que o anteprojeto de reforma, intitulado "Trabalho XXI", foi apresentado pelo Governo (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025, já foram realizadas mais de 50 reuniões (plenárias, trilaterais e bilaterais), tendo sido possível consensualizar mais de 76 artigos, dos quais 24 propostos pela UGT, segundo uma fonte ligada ao processo.

As restrições ao 'outsourcing', o regresso do banco de horas individual, a duração do prazo dos contratos ou a reintegração em caso de despedimento ilícito, apontadas como medidas 'linhas vermelhas' para a UGT, são algumas das alterações que ainda estarão no centro da discussão para se alcançar um eventual consenso.

Segundo avançou o Expresso, a reunião de hoje poderá ser decisiva para se perceber se é possível ou não um entendimento, dado que o Governo tenciona terminar as negociações antes da Páscoa, para submeter a proposta, com ou sem acordo em Concertação Social, à Assembleia da República até ao final de mês de abril.

Não obstante, a decisão final terá sempre que passar por uma reunião plenária de Concertação Social, sendo que o secretário-geral da UGT tem vindo a sublinhar que a ratificação de qualquer decisão da central sindical terá que ser levada ao secretariado nacional.

Depois de ter reunido na sexta-feira os presidentes e secretários-gerais dos sindicatos, a UGT decidiu marcar um secretariado nacional para 09 de abril, confirmou à Lusa fonte da central sindical.

Mesmo que não haja acordo em sede de Concertação Social, a ministra do Trabalho já garantiu que o Governo vai "aproveitar os contributos" dos parceiros sociais e da sociedade civil que o executivo considerar relevantes no anteprojeto que será convertido em proposta de lei.

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