PS, PSD e Sócrates
José Pacheco Pereira Professor
22 de abril

PS, PSD e Sócrates

A direita hoje quer esquecer que Sócrates foi visto e apresentado como o homem da esquerda que fazia a política de que a direita gostava. E que explicava os insucessos da direita pelo facto de ele ter “esvaziado” o PSD e por arrasto o CDS.

A vantagem de ter durante muito tempo criticado, de forma quase solitária, José Sócrates permitiu-me ver como ele foi louvado, saudado e protegido por gente de muitos partidos, o PS em primeiro lugar, o PSD a seguir e, pelo menos uma vez, o PCP. Mas não eram só os partidos, era a corte do poder económico, que agora bem pode jurar a pés juntos que detestava Sócrates, mas andou à sua volta como borboletas com a luz. E não estou a falar de Ricardo Salgado. E a direita, que hoje quer esquecer que Sócrates foi visto e apresentado como o homem da esquerda que fazia a política de que a direita gostava. E que explicava os insucessos da direita pelo facto de ele ter "esvaziado" o PSD e por arrasto o CDS. A memória é uma coisa muito aborrecida.

Roast Toy
A gente pensa que não é possível haver piores programas do que muitos que já existem. Mas há sempre mais um, neste caso o Roast Toy na TVI. Piores, não é no sentido de serem mal feitos, que o guião não funcione, e que quem lá vai não faça aquilo que se espere dele ou dela. Piores porque exploram a degradação mais completa das pessoas que aceitam irem insultar-se em público, com os termos mais soezes e fazendo acusações, quase todas de carácter sexual, para ganhar uns dinheiros e a fama dos "15 minutos". No meio há uma competição pelas obscenidades que cada um diz.

As mulheres que lá estão, uma das quais tinha pretensões intelectuais, a Joana Amaral Dias, e a outra conhecida como a "Pipoca mais doce", discutem as mamas de cada uma, as naturais e as artificiais, o que é que metem na boca, porque é que os maridos as abandonaram, quais os amantes que têm ou desejam ter, o tamanho dos genitais dos homens que lá estão também para o mesmo ofício de se insultarem uns aos outros. Os homens discutem quem é "paneleiro" - pelos vistos ainda podem falar assim - como se drogavam ou se drogam, se escrevem (há um "escritor") bem, mal ou nada, o aspecto físico, se são bêbados ou não, como vomitam, por aí adiante. Tudo muito elegante.

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