Vamos regressar rapidamente ao normal
José Pacheco Pereira Professor
06 de maio

Vamos regressar rapidamente ao normal

O País descobriu que tem uma população migrante invisível, escondida e vivendo em condições miseráveis. Na verdade, já podia ter descoberto há muito tempo se houvesse o mínimo de revolta e indignação ainda vivas com o destino dos seus semelhantes.

Sempre suspeitei que sim, mas posso estar enganado. Ao normal e não ao "novo normal", que é uma coisa demasiado circunstancial para, terminado ou domado o vírus, se manter. A inércia tem muita força, e por isso é que sempre que se "desconfina" alguma coisa as pessoas voltam a fazer o que faziam antes. Já podem visitar os idosos, já podem levar os filhos à escola, muitos nunca deixaram de trabalhar sem "tele" e muitos do teletrabalho vão voltar rapidamente aos empregos habituais. Vai haver uma certa relutância nos ajuntamentos, durante algum tempo, nas mesmas pessoas que vão demorar a andar sem máscara. As que cumpriram estritamente as regras ou que tiveram que estar em quarentena porque contactaram alguém doente ou adoeceram, ainda vão ficar por uns meses com os hábitos da pandemia todos, mas, pouco a pouco vão-nos perdendo. Mãos e superfícies sempre a ser alcoolizadas? Embora quanto às superfícies tudo indica que foi um excesso de cautela, vai também passar. Distanciação social? Vai permanecer alguma, sendo que na verdade houve muito menos do que se imagina. Beijos e abraços e outras proximidades, pelo menos em privado ou entre os jovens, também vai ser rápido.

Os estragos na economia serão mais difíceis de reparar, mas o resto daqui a um ano vai estar não direi esquecido, mas pouco lembrado. Claro que pode sempre haver uma surpresa mutante que nos atire para a Índia, estas coisas estarão sempre connosco, mas por surtos. Os homens são assim, os vírus são mais teimosos e resilientes, mas nem sempre exercem.

As descobertas que a pandemia faz
Repito o que já escrevi e disse muito antes, embora sempre com a certeza de que não valia a pena.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Opinião Ver mais