Observações ad loca infecta
José Pacheco Pereira Professor
15 de abril

Observações ad loca infecta

O juiz Rosa mostrou-se mais motivado para atacar o Ministério Público do que para saber dos crimes de que eram acusados os arguidos. Isso é péssimo e vai reforçar a convicção errada de que faltam leis para combater a corrupção.

1. O título vem da Peregrinatio ad Loca Infecta de Jorge de Sena. Em vez de "peregrinação" vem "observações" porque nem sequer quero ir lá, fico a ver de muito longe. O problema é que mesmo de muito longe vê-se bem. Bem demais.

2. Um juiz recebeu a função de ser instrutor de um processo chamado "Marquês", resultado de uma investigação policial chamada "operação Marquês", depois de outro juiz deduzir a acusação. Uma operação, vocábulo militar, dado que não é cirúrgico, um juiz que manda na operação militar, e outro que analisa esse resultado e manda seguir ou não as tropas. O pobre do Marquês de Pombal metido ao barulho, por causa de um prédio nas imediações, embo- ra chamar pobre ao dito seja muita benevolência.

3. Tudo anda à volta da corrupção, as acusações, os crimes, os arguidos, os actos, as mentiras, as verdades, tudo. Este é que é o problema, o juiz Rosa acabou com a corrupção e mandou seguir para tribunal só uma pequena fracção dos crimes e uma ainda menor quantidade de acusados. Na verdade, a ser assim, a operação Marquês desabou na fase de instrução.

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