O negacionismo na Justiça
Carlos Rodrigues Lima Subdiretor
23 de abril

O negacionismo na Justiça

As decisões judiciais contraditórias, as suspeitas nos concursos, as avaliações - tudo isto decorre de um problema central na Justiça a que o poder político tem, sistematicamente, fechado os olhos: a opacidade e o desrespeito total pelos cidadãos.

Ao contrário do que muita gente possa julgar, o negacionismo não entrou de rompante na sociedade portuguesa com a Covid-19. O negacionismo tem sido, ao longo dos anos, uma das formas encontradas para evitar encarar os problemas com a atenção e as mudanças devidas. Este tipo de negacionismo é particularmente evidente na Justiça. Os problemas estão identificados há anos, escreveram-se livros, fizeram-se congressos, pactos de regime e outros projetos de pacto. Tudo em vão. Porque, ao contrário de outras áreas, como a Saúde e a Educação, a Justiça não tem rendibilidade política. Os sucessivos governos entretêm-se a fazer de conta que fazem alguma coisa, sempre anunciada com o rótulo de "reforma", quando, se virmos bem, tudo se mantém na mesma desde há, pelo menos, uns 20 anos.

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