Uma TAPinha não dói
João Paulo Batalha
08 de dezembro de 2021

Uma TAPinha não dói

As contas sobre a importância "estratégica" da TAP simplesmente não batem certo, por mais que se torçam – as contas e os contadores. Era uma vez um elefante branco voador.

O ministro das Finanças antecipou ontem em Bruxelas, como quem anuncia uma boa notícia, que o plano de reestruturação da TAP deverá ser aprovado pela Comissão Europeia até ao final do ano. Segundo João Leão, as questões financeiras estarão todas acertadas, faltando apenas definir algumas questões operacionais, como o número exato de voos de que a TAP vai abrir mão para poder ser resgatada pelo Estado sem que isso viole as regras europeias da concorrência.

Se isso se confirmar, há de ser noticiado como uma vitória para o Governo, embora seja, tudo o indica, uma enorme derrota para o país. Há dias, o ministro da Economia voltou a defender a TAP como "uma das empresas mais críticas para o nosso futuro coletivo", enquadrando o gigantesco resgate da companhia – estimado algures entre os 3200 e os 3700 milhões de euros – como um investimento num ativo "estratégico" do país. A dimensão dos números, por si só, dá razão ao ministro. Gastar numa empresa cronicamente deficitária mais do que todo o orçamento anual de investigação em ciência e tecnologia, cerca de metade do que se gasta anualmente em educação pública, é sem dúvida "crítico para o nosso futuro coletivo".

Siza Vieira ecoou os argumentos várias vezes repetidos pelo ministro desta batata quente, Pedro Nuno Santos: a TAP deu um contributo positivo de quase 2% para a balança comercial portuguesa em 2019, antes de sofrer os efeitos devastadores da pandemia. Por isso, pelo número de turistas que traz a Portugal e pela quantidade de pessoas que emprega, é uma empresa "estratégica".

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