Quem matou o Marquês?
João Paulo Batalha
14 de abril

Quem matou o Marquês?

Antes da Justiça nos falhar no combate à corrupção (demonstrada) de José Sócrates, foi a política que nos traiu. E é a política que agora se prepara para fazer ainda pior.

Onde há crime não há prova. E onde há prova não há crime. É no essencial esta a síntese das três horas de leitura da decisão de Ivo Rosa na Operação Marquês, que abalaram o país.

Onde há crime não há prova: porque o juiz de instrução a anulou ou a reduziu a especulações e fantasias da acusação – achando Ivo Rosa que lá porque um homem é primeiro-ministro não quer dizer que tenha poder de influência sobre os seus ministros, ou sobre empresas públicas onde tem instalados amigos próximos e gente de confiança. Onde há prova não há crime: porque prescreveu, graças à criativa contagem de prazos ditada por um acórdão amigável do Tribunal Constitucional escrito por um ex-deputado do PS a entusiasticamente adotado pelo juiz.

A imprensa tem feito um bom trabalho a mapear as várias incongruências da decisão instrutória: as testemunhas credíveis que ilibam Sócrates, versus as testemunhas não credíveis que o incriminam; o crime fiscal que não existe porque o dinheiro sujo está isento de imposto, por aí fora. Tudo isto será revisitado pelo Tribunal da Relação em sede de recurso, portanto voltamos a falar daqui a dois anos, quando houver decisão. Até lá, não nos doam os dentes.

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