Os piratas do tijolo
João Paulo Batalha
21 de abril

Os piratas do tijolo

De Vila Real de Santo António a Lisboa, Oeiras e Carcavelos, a promiscuidade de betão entre autarcas e empreiteiros é um velho vício que nunca prescreve.

Sabe-se pouco do que está em causa no negócio algarvio que levou à detenção da presidente da Câmara de Vila Real de Santo António (que entretanto renunciou ao mandato). A suspeita é de corrupção na venda de um terreno municipal a um grupo imobiliário, envolvendo o deputado do PS António Gameiro como eventual facilitador do negócio.

Também se sabe pouco (mas quem conhece a casa desconfia muito) dos negócios que motivaram as buscas de ontem da Polícia Judiciária à Câmara de Lisboa e a casa do ex-vereador Manuel Salgado. Também aqui as suspeitas estão ligadas a negócios imobiliários, como a mega-urbanização de Entrecampos (onde até a faixa de rodagem da Av. da República foi usada para contabilizar a área urbanizável) e as construções da Torre das Picoas e dos hospitais da Luz e CUF Tejo.

A história repete-se. A promiscuidade entre autarcas e empreiteiros tem longa tradição e um negro legado em Portugal, medido pela urbanização desenfreada de cidades e subúrbios e pela quantidade de mamarrachos que cresceram como cogumelos nos sítios mais estapafúrdios, a coberto de alterações cirúrgicas dos planos de ordenamento – ou até construídos ilegalmente mas nunca mandados abaixo graças à inércia ou cumplicidade das autarquias.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui