Passa a outro e não ao mesmo
João Paulo Batalha
07 de abril

Passa a outro e não ao mesmo

Onde se lê "à Justiça o que é da Justiça", deve ler-se "os procuradores que façam alguma coisa, se quiserem, porque os políticos não vão fazer".

O nome de Feliciano Barreiras Duarte foi "arrastado na lama, de forma apressada e torpe, com penosas consequências" para ele e para a família. A culpa é da comunicação social que há três anos cometeu a infâmia de noticiar que era falsa e estava no seu currículo uma informação de facto falsa que ele de facto tinha no currículo.

Três anos depois, fez-se justiça. O Ministério Público, soube-se ontem, arquivou a investigação contra o ex-secretário-geral do PSD, que era suspeito de falsificação de documento por ter posto no currículo que era "visiting scholar" (investigador visitante) na Universidade de Berkeley, que ele aparentemente nunca visitou.

Após três anos de aturada investigação, a procuradora Josefina Fernandes apurou o seguinte: que Barreiras Duarte recebeu uma carta da diretora do programa de Estudos Portugueses de Berkeley (que esta diz que não escreveu e não se lembra de ter enviado), que ao que parece dizia essencialmente, "se quiser, candidate-se". E que Barreiras Duarte tresleu a carta e ficou convencido de que estava admitido. É um pouco como se eu fosse falar com o padre da Igreja da Boa Nova para tratar do batismo que os meus pais não me deram; e saísse de lá convencido de que sou Papa.

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