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Quanto mais exigente for a sociedade e mais transparente for o Poder Judicial, mais robusta será a legitimidade de todo o sistema judicial e, em consequência, a Democracia. Por isso, esta exigência não é um ataque — é um convite à renovação e ao seu fortalecimento. De resto, a beca não se mancha por prestar contas.
Os Tribunais, catedrais da imparcialidade, onde a justiça desce em espiral — lenta, solene — como se cada decisão fosse uma liturgia e cada prateleira de processos, um altar sagrado. Lá dentro reina a independência e julgar não é gerir, dizem alguns: "somos juízes, não gestores."
E assim confundem independência com invisibilidade, como se prestar contas fosse uma ameaça, e não sinal de maturidade democrática.
Recordo: uma justiça que não se avalia é como um espelho embaciado: pode até ter rosto — mas ninguém o vê com clareza.
Lá fora, o mundo aprendeu a distinguir: a independência protege o conteúdo da decisão, não a opacidade do sistema.
A gestão cuida do caminho, sem tocar no destino.
E talvez um dia, quem sabe, os Tribunais deixem de temer a luz do dia e abram as janelas, não para serem controlados, isso seria inadmissível e intolerável, mas para serem compreendidos. É que uma justiça que não se explica, que não seja respeitada pelo cidadão, acaba por não se sentir.
E o cidadão — esse eterno réu do sistema — merece saber mais do que o número do processo.
De facto, nos Tribunais ainda se vai confundindo independência com isolamento, autoridade com ausência de escrutínio, imparcialidade com distância. Mas não deveria ser assim. A independência judicial — pilar essencial de qualquer Estado de Direito — protege o Juiz de pressões externas, políticas ou privadas. E neste ponto, nós Juízes, e, diga-se, os cidadãos em geral, devemos ser absolutamente intransigentes. Mas não o isenta de explicar, de justificar, de mostrar como funciona o sistema que serve a todos.
A independência é uma garantia de liberdade decisória, não uma licença para a opacidade estrutural.
Há quem tema que introduzir melhor gestão, objetivos e monitorização seja abrir a porta à ingerência e proletarizar os Tribunais (apesar de se tratar de uma realidade constante na Lei de Organização do Sistema Judiciário desde 2013). Nada mais errado.
Avaliar a justiça não é dizer ao Juiz como deve decidir — é perguntar se o cidadão foi ouvido em tempo útil, se o processo não ficou soterrado em prazos impossíveis, se os meios que o Estado coloca ao dispor da Administração da Justiça estão aptos a que ela dê respostas em prazo razoável.
Quanto mais exigente for a sociedade e mais transparente for o Poder Judicial, mais robusta será a legitimidade de todo o sistema judicial e, em consequência, a Democracia. Por isso, esta exigência não é um ataque — é um convite à renovação e ao seu fortalecimento. De resto, a beca não se mancha por prestar contas.
Pois bem, o planeamento do trabalho judicial — tal como a monitorização dos objetivos de serviço judicial - não constitui qualquer risco para a independência, é, antes sim, uma exigência de boa administração da justiça. É preparar o terreno, garantir os meios, identificar os obstáculos, antecipar desequilíbrios e alinhar recursos com as necessidades concretas dos tribunais e dos cidadãos.
E não se trata de uma sugestão ou de um capricho, segundo alguns, daqueles mais ligados a modernices, já que desde 2013 a Lei de Organização do Sistema Judiciário (LOSJ) - a Lei n.º 62/2013, de 26 de agosto - consagra expressamente estas regras. Refiro-me, com toda a precisão, ao artigo 90.º, n.ºs 1 a 3, da LOSJ, que estabelece que "…O Conselho Superior da Magistratura e o Procurador-Geral da República, em articulação com o membro do Governo responsável pela área da justiça, estabelecem objetivos estratégicos para o desempenho dos tribunais judiciais de primeira instância para o triénio subsequente...". Esta norma é aplicável por força da remissão do artigo 7.º do ETAF ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais.
E mais: "… O cumprimento desses objetivos é monitorizado anualmente (…) com base nos elementos disponibilizados pelo sistema de informação de suporte à tramitação processual…", pelo Conselho Superior da Magistratura, Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais e o Procurador-Geral da República, em articulação com o membro do Governo responsável pela área da justiça.
Em síntese, a justiça não perde dignidade por se organizar, pelo contrário: torna-se mais eficiente, mais transparente, mais sólida e mais próxima de quem dela precisa.
Alguns Juízes que passam dias a decidir processos complexos, a pesar princípios constitucionais, a resolver litígios com mestria, mostram-se, depois, subitamente alarmados quando se lhes fala em avaliar o tempo médio de decisão, em decidir prioritariamente os processos com datas mais antigas no Tribunal, ou em monitorizar os objetivos definidos para o Tribunal onde exercem funções (não há objetivos individuais dos juízes). Como se a independência — esse pilar nobre — fosse uma espécie de planta sensível ao toque, que murcha ao primeiro contacto com um gráfico.
Note-se: não se está a medir a decisão. Está-se a medir o serviço. Em consequência, não se julga a independência na decisão, julga-se apenas o funcionamento da estrutura, para a qual não contribuem só Juízes, mas também oficiais de justiça e os meios colocados à disposição pelo Estado para a boa administração da justiça, em nome do povo.
E por isso, talvez seja tempo de deixarmos de ver fantasmas onde há apenas planeamento. De deixarmos de erguer a independência como trincheira contra tudo o que nos obriga a olhar para o espelho da eficiência.
Por tudo o antedito, conclui-se que os juízes que agora escrevem inflamados artigos sobre a proletarização da magistratura estão a viver um drama real. Estão a ser violentados na sua essência filosófico-meditativa. Como se lhes quisessem roubar o prazer do tempo indefinido, do despacho contemplativo, da eternidade das reflexões e da escolha do processo que ler e decidir, como se da escolha de um novo livro na prateleira de uma livraria se tratasse.
No silêncio das salas de audiências, onde o tempo se mede em muitas decisões, ergue-se já — sem alarde — a prova viva da dedicação de quem julga: a impressionante cadência de processos resolvidos (as capacidades de resolução processual na jurisdição demonstram-no), a persistência tranquila de quem, dia após dia, constrói a Justiça. Falar agora de objetivos, métricas ou planeamento não é impor grilhões à liberdade de julgar, mas talvez apenas desenhar com mais nitidez o mapa daquilo que já se faz — e se faz bem.
Não se pede pressa cega, nem números vazios, mas antes que o esforço coletivo possa respirar organização, visão conjunta e objetivos coletivos na administração da justiça, para que o mérito encontre forma visível.
Se houver receios, que se dissipem como nevoeiro ao nascer do dia: o que se propõe não é um fardo, mas uma bússola — discreta, firme, feita da mesma matéria dos que, em silêncio, já sabem e fazem o caminho certo.
Em vez de procurar combater os reais problemas, tanto este governo como o anterior, ambos liderados por Luís Montenegro, apenas criam, de forma continuada e avassaladora, novos problemas e escândalos.
No Seixal, este Agosto, no ano 1448 da era islâmica, os comunistas reconhecerão os seus e o estado português sumir-se-á mofino, negligente, desavergonhado.
As origens europeias deste modus operandi conduzem-nos inevitavelmente a Nápoles. Há vários anos que grupos napolitanos se especializaram no roubo de relógios de elevado valor, deslocando-se sazonalmente para cidades e destinos turísticos frequentados por pessoas de elevado poder económico.
A seleção não aconteceu no domingo. Aconteceu no 10.º ano, na escolha da via profissionalizante, na família que não paga explicações, no quarto arrendado em Lisboa ou no Porto que pode custar mais do que um salário mínimo. Quando os resultados saem, o filtro já funcionou há muito.
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