Ambos os partidos questionam o papel da Base das Lajes no ataque ao Irão e pedem esclarecimentos ao Governo.
O Livre anunciou este sábado que vai questionar o Governo sobre a utilização da Base das Lajes, nos Açores, pelos Estados Unidos da América (EUA), e o PCP exigiu uma "condenação clara" do Governo aos ataques no Irão.
Israel e EUA atacam IrãoAP Photo
"Aquilo que nos preocupa é o que pode ter sido o papel do Estado português, o papel do governo português, por ação e por omissão, na contribuição para este ataque, desde logo, evidentemente, na utilização da Base das Lajes por parte das Forças Armadas dos Estados Unidos", afirmou o deputado do Livre Jorge Pinto, à margem da manifestação organizada pela CGTP contra a reforma laboral do Governo, em Lisboa.
O antigo candidato às presidenciais condenou os ataques lançados este sábado pelos EUA e Israel ao Irão e adiantou que o partido vai questionar "o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros" sobre o tema, uma vez que a Base das Lajes é utilizada militarmente pelos EUA no âmbito de um acordo de cooperação.
"Nós não queremos Portugal associado, de qualquer maneira, a um ataque feito ao arrepio dos direitos internacionais, contrário à Carta das Nações Unidas e que, no fundo, crava mais um prego no caixão do direito internacional", lamentou.
O deputado salientou que a posição do Livre não significa um apoio ao regime iraniano, que o partido condena, realçando que estão em causa "ataques ilegais aos olhos do direito internacional que, no fundo, dão um sinal a todos os outros líderes autocráticos de que a lei do mais forte é a que vinga".
"Nós não acreditamos nisso. Nós acreditamos num mundo regido por regras, regido pelas Nações Unidas, pela sua Carta e isso hoje foi claramente desrespeitado", criticou.
À margem da manifestação, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, também condenou a "agressão a um estado soberano", numa região "já minada por vários acontecimentos deste tipo", dando como exemplo a Palestina, o Líbano ou a Síria.
"É preciso condenar de forma clara e sem 'mas' nem meio 'mas'. E era bom que o Governo português fosse claro na sua apreciação sobre a situação", apelou.
O comunista criticou "estados hipócritas" que têm "dois pesos e duas medidas" face a conflitos mundiais e interrogado sobre a utilização da Base das Lajes, rejeitou qualquer "cumplicidade do Estado português em ataques a outros países soberanos".
Paulo Raimundo realçou que além da utilização desta base aérea portuguesa nos Açores, a questão que se impõe "é o posicionamento do Governo português para empreender todos os meios que tem, de forma clara, para acabar de uma vez por todas com este conflito".
"Nós sabemos quando é que [este conflito] começou, sabemos até a que horas é que começou, mas não fazemos nenhuma ideia de como é que vai acabar. E acho que isso deve preocupar toda a gente. A mim preocupa muito", afirmou.
Cinco aviões reabastecedores KC-46 Pegasus da Força Aérea norte-americana levantaram voo da Base das Lajes este sábado, na ilha Terceira, segundo constatou a Lusa no local.
Na sexta-feira, véspera do ataque ao Irão, levantaram voo das Lajes, ao início da tarde, dois reabastecedores que regressaram à noite.
Desde o dia 18 de fevereiro que se intensificou o movimento de aeronaves norte-americanas na Base das Lajes.
Israel e Estados Unidos lançaram este sábado um ataque contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e países vizinhos.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
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