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Segunda noite de protestos violentos na Irlanda do Norte após esfaqueamento em Belfast

Na sequência do esfaqueamento de um residente por um imigrante, que se encontra detido.

A cidade de Belfast e as localidades vizinhas na Irlanda do Norte vivem esta quinta-feira a segunda noite consecutiva de distúrbios, na sequência do esfaqueamento de um residente por um imigrante que se encontra detido.

Distúrbios em Belfast
Distúrbios em Belfast AP

Segundo os meios de comunicação britânicos e irlandeses presentes em Belfast, a polícia já utilizou canhões de água para dispersar os manifestantes em Sandyknowes, nos arredores de Belfast, após cerca de 200 pessoas se terem reunido e atirado pedras e garrafas contra a polícia que tentava contê-los.

Um camião também foi incendiado.

Os protestos violentos surgem na sequência do caso que atraiu a atenção nacional devido à divulgação ‘online’ de vídeos explícitos do ataque e o envolvimento de um imigrante, o que levou a críticas de alguns partidos políticos.

A polícia informou que a vítima foi levada para o hospital na noite de segunda-feira com ferimentos graves no rosto, pescoço e costas.

Segundo as autoridades, o alegado autor, na casa dos 30 anos, foi detido por suspeita de tentativa de homicídio e permanece sob custódia após ter sido encontrada uma faca de cozinha no local.

A família do jovem esfaqueado emitiu um comunicado em que se diz revoltada “com as cenas que se desenrolaram [na terça-feira] em toda a Irlanda do Norte”.

“Queremos deixar absolutamente claro que a nossa família não apoia este tipo de reação, e que o protesto pacífico é sempre a única via a seguir. Temos muitos migrantes que dão um contributo extremamente valioso ao nosso país, nomeadamente no nosso sistema de saúde e no setor da hotelaria e restauração, e dependemos deles para que o nosso país funcione”, continuou a família numa nota partilhada pela polícia.

“Não queremos que esta terrível tragédia seja usada para dividir as pessoas ou alimentar a hostilidade — não façam isto em nome do nosso familiar, pois não partilhamos os mesmos valores”, acrescentaram os familiares.

O portal Belfast Live noticiou que a multidão que se confrontou hoje com a polícia tentava chegar com intenções hostis ao Hotel Chimney Court, local onde imigrantes costumam ficar alojados enquanto aguardam a resolução do seu pedido de asilo político.

A Polícia da Irlanda do Norte (PSNI, na sigla em inglês) já tinha alertado horas antes de que tinham sido partilhados dados de contacto e indicadas moradas de imigrantes, incitando a novos protestos, após ter recebido chamadas de famílias, proprietários, vizinhos e outros membros da comunidade local “que se encontram angustiados em consequência desta atividade irresponsável”.

Também em Glengormley a polícia utilizou canhões de água, segundo a BBC.

Outro local onde se repetiram os distúrbios foi em Newtownabbey, onde grupos de jovens encapuçados e vestidos de preto atiraram todo o tipo de objetos contra a polícia, que tinha erguido uma barreira para lhes impedir a passagem.

As cidades de Derry e Stormont também foram palco de protestos e distúrbios, com pneus queimados nas ruas em vários pontos.

No entanto, até ao momento não se repetiram as cenas de vandalismo da noite de terça-feira, quando os manifestantes — tal como hoje, na sua maioria jovens encapuçados — incendiaram vários centros de acolhimento onde costumam ser alojados imigrantes, obrigando várias famílias a abandoná-los rapidamente.

Antecipando o que poderia acontecer, inúmeros estabelecimentos comerciais na província fecharam as portas mais cedo; algumas empresas recomendaram hoje o teletrabalho e os serviços de transportes públicos cancelaram, a partir de determinada hora, várias linhas de comboio e autocarro.

As imagens do ataque provocaram uma avalanche de comentários de ódio nas redes sociais e de apelos para se manifestar nas ruas de Belfast, comentários incitados por agitadores de extrema-direita como Tommy Robinson ou o magnata da tecnologia Elon Musk, a partir dos Estados Unidos.

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