Atores russos procuraram retratar Moscovo como "uma alternativa a um Ocidente supostamente decadente em termos morais".
A Rússia focou as suas campanhas de desinformação e interferência externa na União Europeia em 2025, reduzindo os ataques contra os Estados Unidos, indica um relatório do serviço diplomático europeu, que aponta uma mudança estratégica.
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No relatório, intitulado "Ameaças de ingerência externa e de manipulação de informação", o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) indica que, em 2025, se verificou uma "recalibração estratégica" nas campanhas russas de desinformação e de ingerência externa.
"Passaram de uma abordagem que dividia o foco entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos para uma ênfase maior na UE, mantendo, no entanto, alguma margem de manobra", lê-se no relatório.
O SEAE indica que os atores russos se "focaram na UE como um adversário, mostraram uma abordagem inconsistente relativamente aos Estados Unidos" e procuraram retratar Moscovo como "uma alternativa a um Ocidente supostamente decadente em termos morais".
No relatório, refere-se que a Rússia se manteve a principal fonte de desinformação contra a UE em 2025: dos 540 incidentes analisados pelo SEAE em 2025, cerca de 29% foram atribuídos à Rússia, seguido da China (6%).
"Os restantes 65% não foram atribuídos, mas apresentaram indicadores ligados a infraestruturas russas ou chinesas", lê-se no relatório do SEAE.
O principal alvo da Rússia foi a Ucrânia, seguido da Moldova, onde se realizaram eleições legislativas em setembro de 2025.
"As eleições continuaram a ser um dos principais focos [da Rússia]. Por exemplo, na República Checa, centenas de contas anónimas no TikTok espalharam narrativas pró-Kremlin na véspera das eleições legislativas [de outubro de 2025], enquanto as legislativas na Moldova enfrentaram uma onda sem precedentes de ameaças híbridas", refere-se.
Através das suas operações, Moscovo procura "alimentar divisões novas ou aprofundar as já existentes" nas sociedades, ao tentar "mobilizar sentimentos 'antissistema' e minar a confiança na UE, retratando-a como antidemocrática e agressiva ou demasiado fraca".
Já as atividades da China, apesar de serem significativamente inferiores, estão em "constante crescimento", indicou um responsável europeu num 'briefing' com jornalistas, e são dotadas de um orçamento muito maior.
Segundo estimativas do SEAE, a Rússia disponibiliza cerca de 1,6 mil milhões de euros para este tipo de operações, enquanto a China calcula-se que gaste entre 6 e 8,6 mil milhões de euros.
As atividades chinesas têm também uma característica própria: além de tentarem difundir teorias conspiracionistas, à semelhança das russas, visam também "suprimir narrativas que vão contra alguns dos seus interesses fundamentais".
Desenvolvem "medidas agressivas como intimidação e assédio de vozes críticas para suprimir informação inclusive fora das suas fronteiras", lê-se no relatório, que indica que a China tenta retratar a UE como "subserviente aos Estados Unidos" a nível de política externa.
O relatório refere ainda que, em casos raros, a Rússia e a China trabalham em conjunto contra a UE, apesar de normalmente desenvolverem ações classificadas como "oportunistas", no sentido em que aproveitam para amplificar os ataques desencadeados pelo outro.
Um dos exemplos dessas operações conjuntas verificou-se em outubro de 2025, numa altura em que 'drones' russos sobrevoavam o espaço europeu, tendo a China apoiado a Rússia com campanhas de desinformação, indicou um responsável europeu.
O SEAE ressalva que o relatório não deve ser "interpretado como exaustivo" em termos de ameaças de desinformação, uma vez que deriva de uma monitorização que não cobre "todas as regiões e línguas" e "só representa uma porção pequena das atividades destes atores".
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