Num intervalo de 15 meses, o Reino Unido devolveu 16 contentores de frango com salmonela e um contentor com problemas na refrigeração da carne, totalizando 1.400 toneladas de aves.
O Reino Unido devolveu 1.400 toneladas de frango do Brasil devido à presença da bactéria salmonela, indicou a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento brasileira, na quarta-feira, em conferência de imprensa.
De acordo com Tereza Cristina, num intervalo de 15 meses, o Reino Unido devolveu 16 contentores de frango com salmonela e um contentor com problemas na refrigeração da carne, totalizando 1.400 toneladas de aves.
A governante abordou o assunto depois de o jornal britânico ter publicado, na quarta-feira, uma reportagem, em parceria com a 'ONG' Repórter Brasil e a organização 'Bureau of Investigative Journalism', dando conta que o país sul-americano teria "exportado milhares de toneladas de frango contaminado com salmonela nos últimos dois anos", sendo que mais de "um milhão dessas aves" teriam sido enviadas para o Reino Unido.
A Repórter Brasil acrescenta ainda que o frango vetado entre abril de 2017 e novembro de 2018 no Reino Unido voltou para o Brasil e acabou revendido no mercado brasileiro.
"No mercado brasileiro, o produto vetado pode seguir dois caminhos, a depender do tipo de salmonela presente. Se forem bactérias com risco potencial à saúde humana – o que acontece em menos de 1% dos casos, segundo o Ministério da Agricultura –, o frango contaminado é cozido, e a carne é processada em subprodutos, como 'nuggets', salsichas, linguiças e mortadelas de frango", afirmou a ONG.
"Já se a contaminação for por bactérias que, de acordo com os padrões brasileiros, não apresentam riscos à saúde, o produto 'in natura' é colocado no mercado interno e chega aos talhos e supermercados", acrescentou a Repórter Brasil, depois de ter pedido esclarecimentos à pasta da Agricultura e à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Segundo a ministra, a decisão sobre o que é feito com o produto devolvido é do fornecedor.
Tereza Cristina destacou ainda, na conferência de imprensa difundida no 'site' do Ministério, que a presença da bactéria de salmonela não coloca em risco a saúde do consumidor caso o produto seja cozinhado.
"Se cozinhar, fritar ou assar não tem problema nenhum. As salmonelas existem, não há problema nenhum", disse a governante.
O Brasil é o maior exportador da carne do mundo, enviando, em média, 337 mil toneladas de frango por mês para o exterior.
Aos jornalistas, a ministra comentou ainda o acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul, declarando que não vê entraves às exportações brasileiras.
Tereza Cristina frisou que já existem exigências sanitárias na relação entre os países em causa, e que o acordo não trará mais riscos nesse sentido.
"Acho que não muda nada para nós porque onde a produção está, ela tem que estar legalizada. O Brasil tem leis ambientais, como o Código Florestal, e temos que exigir o cumprimento da lei", declarou.
O acordo comercial entre os dois blocos económicos, assinado na sexta-feira passada, depois de 20 anos de negociações, prevê o fim da maioria das taxas de importação entre os países da União Europeia e do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e acesso preferencial por meio de quotas.
Os países signatários comprometem-se também a implementar e cumprir o acordo climático de Paris, que prevê limites à emissão de gases do efeito estufa e um suporte financeiro de países ricos aos mais pobres para se adaptarem às mudanças climáticas e adotarem energias renováveis.
Tereza Cristina anunciou também a criação de um fundo para ajudar na modernização da indústria de vinhos e espumantes brasileiros, com o intuito de a tornar mais competitiva diante dos produtos do mercado europeu, que começarão a chegar ao Brasil com benefícios fiscais.
No caso do vinho, o imposto atual, de 27,5%, chegará a zero no prazo de oito anos.
O acordo precisa ainda de ser aprovado pelos parlamentos dos países de cada um dos blocos.
Reino Unido devolve 1.400 toneladas de frango com salmonela ao Brasil
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