Departamento de Justiça esclareceu que tendo Pam Bondi sido demitida do cargo de procuradora-geral que esta não irá prestar qualquer tipo de depoimento na audição que estava marcada para 14 de abril. O comité garante, contudo, que Bondi tem a obrigação de prestar esclarecimentos sobre o caso Epstein.
A ex-procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, que foi demitida na semana passada pelo presidente Donald Trump, afinal pode não vir a prestar depoimento perante o Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes - que se encontra a investigar as atividades e ligações do criminoso sexual Jeffrey Epstein, falecido em 2019.
Pam Bondi Foto AP/Alex Brandon, Pool
Pam Bondi havia sido convocada a depor no dia 14 de abril para esclarecer a forma como o Departamento de Justiça lidou com o material relacionado com o caso, nomeadamente com a divulgação de nomes de alegadas vítimas do agressor. Contudo, perante a sua demissão, um porta-voz do Departamento de Justiça informou que Pam Bondi não irá comparecer perante este comité e esclareceu ainda que foram os seus erros na condução da investigação sobre Epstein que levaram Donald Trump a demiti-la.
Ainda assim, num comunicado divulgado esta quarta-feira, e citado pelo jornal The New York Times, o comité afirmou que vai tentar agendar uma nova data para Bondi prestar depoimento - algo que já havia sido exigido no mês passado por um grupo bipartidário. O principal democrata do comité, o deputado Robert Garcia, da Califórnia, recordou até que a intimação a que Pam Bondi foi sujeita ainda está em vigor mesmo depois da sua demissão.
“Agora que Pam Bondi foi demitida está a tentar esquivar-se da sua obrigação legal de depor”, criticou Robert Garcia num comunicado citado pelo The New York Times. "Se ela desrespeitar a intimação, iniciaremos um processo por desacato no Congresso”.
A mesma ameaça foi deixada pela republicana da Carolina do Sul, Nancy Mace. “Pam Bondi não se pode eximir da responsabilidade porque simplesmente já não ocupa o cargo de procuradora-geral”, referiu também ela num comunicado divulgado esta quarta-feira. “A nossa moção para intimar Pam Bondi, que foi aprovada pelo Comité de Supervisão, referia-se a Bondi nominalmente, não apenas ao seu título.”
Ainda antes de Trump ter demitido Pam Bondi, os legisladores do comité já haviam demonstrado alguma preocupação com a possibilidade de ela evitar prestar depoimento. Foi por isso que cinco republicanos se juntaram aos democratas para forçar a intimação.
Apesar de Pam Bondi ter dito que pretendia "seguir a lei", ela nunca se comprometeu a compareceu no dia 14 de abril no Congresso. Segundo o mesmo jornal, que cita fontes familiarizadas com o processo, juntamente com o presidente republicano do comité, o deputado James R.Comer, estaria a trabalhar num plano para evitar prestar depoimento.
O futuro de Pam Bondi neste escândalo permanece agora incerto. Para já, o que se sabe é que continuam agendados outros depoimentos, nomeadamente do secretário do Comércio, Howard Lutnick, que deverá ocorrer a 6 de maio, além de Bill Gates, o bilionário cofundador da Microsoft que falará a 10 de junho perante o comité.
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