A entidade reguladora da energia da Tanzânia decidiu, a partir de 01 de abril, um aumento de 33% nos preços da gasolina.
A presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, anunciou esta quarta-feira que todas as comitivas do Governo vão passar a viajar num só autocarro, prescindindo dos carros oficiais, para reduzir o consumo de combustível.
Samia Suluhu HassanFoto de Timothy A. Clary/Pool via AP
"A partir de hoje, para onde quer que eu vá, todos os responsáveis viajarão juntos num único autocarro; a comitiva será composta pela minha escolta, pela polícia e por um veículo de emergência na retaguarda", declarou a presidente da Tanzânia durante uma cerimónia oficial.
"Todos os outros [participantes na viagem] serão colocados num único autocarro para reduzir o consumo de combustível", acrescentou, convidando as outras instituições do país a reduzirem o seu próprio consumo de combustível, que aumentou significativamente nos últimos dias.
A entidade reguladora da energia da Tanzânia decidiu, a partir de 01 de abril, um aumento de 33% nos preços da gasolina, cujo litro passou de 2.864 xelins tanzanianos (0,95 euros) para 3.820 xelins (1,27 euros).
Nas viagens presidenciais na Tanzânia, era comum até agora que a comitiva incluísse mais de 30 veículos, com muitos membros da delegação a utilizarem luxuosos 4x4.
A decisão da Presidente deste país africano que faz fronteira, a sul, com Moçambique, surge na mesma altura em que Madagáscar decretou o estado de emergência energética para os próximos 15 dias devido à "profunda crise" criada pelas interrupções no abastecimento de energia causadas pela guerra no Médio Oriente.
"Esta decisão foi tomada após constatar-se uma profunda crise decorrente das perturbações no fornecimento de energia em todo o país, devidas ao conflito no Médio Oriente, que provocam problemas na continuidade económica, na prestação de serviços públicos essenciais e no funcionamento da economia nacional, com repercussões na vida quotidiana da população", explicou o Governo num comunicado, esta semana.
Vários Governos africanos decidiram tomar medidas, como fixar os preços dos combustíveis ou reduzir os impostos sobre estes produtos, como forma de proteção contra os constantes aumentos dos preços da energia provocados pela guerra no Médio Oriente.
As economias africanas são muito vulneráveis a crises globais devido à sua dependência dos mercados estrangeiros, à volatilidade das suas moedas, à falta de infraestruturas e às variações cambiais, que afetam a dívida externa, geralmente contraída em dólares.
Já hoje, o Banco Mundial reviu em baixa a previsão de crescimento para as economias da África subsaariana, antevendo agora uma expansão de 4,1%, menos 0,3 pontos percentuais que a estimativa de outubro de 2025, essencialmente devido aos efeitos da guerra no Médio Oriente.
A guerra no Médio Oriente começou a 28 de fevereiro com ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, uma ofensiva à qual Teerão respondeu com mísseis e 'drones', além de bloquear o Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo e do gás natural do mundo.
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