Os veteranos deportados para uma terra estranha

Combateram no Iraque e no Afeganistão e julgaram que eram cidadãos americanos, mas descobriram que não. Como civis cometeram crimes e foram deportados. Agora lutam por voltar

Passaram 16 anos desde que Hector Barajas deixou as forças armadas americanas. Ainda assim, o acto de vestir a farda azul e de colocar na cabeça a boina bordeaux dos pára-quedistas continua a ser, para ele, um ritual. Uma sequência metódica de gestos tantas vezes repetidos. Começa por alinhar cuidadosamente a placa com o seu apelido antes de a prender no lado direito da lapela do casaco. Faz o mesmo com as insígnias das forças armadas, que coloca nos ombros. Seguem-se as condecorações obtidas durante os sete anos de serviço activo: quatro no exército, três nos pára-quedistas. Coloca-as do lado esquerdo e passa-lhes pela última vez um pano para garantir que estão brilhantes e sem marcas. Quando tudo está pronto, ajeita a gravata e retira o casaco, que já não esconde os vestígios da passagem do tempo, do cabide pendurado numa reentrância na parede. "Amo os Estados Unidos. Orgulho-me de usar este uniforme", diz à SÁBADO enquanto o veste cuidadosamente.

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