A caravana saiu de Zwaiya (a cerca de 50 quilómetros de Tripoli) com destino a Sirte (460 quilómetros a leste da capital líbia), e planeava chegar à Faixa de Gaza a 15 deste mês.
Uma ativista portuguesa integra um grupo avançado de uma caravana humanitária que está retido pelas autoridades do leste da Líbia e incontactável desde domingo, alertou esta segunda-feira o movimento Global Sumud Land, que pretende levar ajuda a Gaza por terra.
Ativistas tentavam chegar a Gaza por terra AP
Em declarações à agência Lusa, Dora Lemos, uma das coordenadoras dos movimentos portugueses associados à Global Sumud Land - paralela à flotilha Global Sumud, cujos ativistas foram detidos na semana passada pelo exército de Israel em águas internacionais --, indicou que a cidadã portuguesa se chama Ana Margarida França Santana Baptista.
A Lusa já pediu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português informações sobre o paradeiro da ativista portuguesa, mas, até agora, não obteve resposta.
Além da ativista portuguesa, integram o grupo avançado uma outra espanhola, uma polaca, uma norte-americana, dois argentinos, um uruguaio, um tunisino e dois italianos, parte dos mais de 350 cidadãos - entre médicos, professores, engenheiros e jornalistas - de 30 países que saíram há cerca de um mês da Mauritânia.
Já na Líbia, indicou Dora Lemos, a caravana saiu de Zwaiya (a cerca de 50 quilómetros de Tripoli) com destino a Sirte (460 quilómetros a leste da capital líbia), e planeava chegar à Faixa de Gaza a 15 deste mês.
Num comunicado, a Global Sumud confirmou a retenção do grupo de 10 ativistas que iria negociar a passagem com as autoridades do leste do país, lideradas nesta zona líbia pelo marechal Khalifa Haftar e respetivas milícias, que se opõem ao governo de unidade nacional em Tripoli, reconhecido pelas Nações Unidas e liderado por Abdul Hamid Dbeibah desde março de 2021.
"Exigimos a intervenção urgente das autoridades portuguesas e líbias através de todos os meios legais, exigindo a libertação de Ana Margarida França Santana Baptista e de outros cidadãos e a garantia da proteção da sua integridade física e psicológica", afirmou Dora Lemos, dando conta de parte do apelo enviado ao Governo português e a várias entidades internacionais.
"Estes ativistas em missão humanitária estão onde os governos da União Europeia falham ao recusarem sancionar o governo genocida de Israel e que arriscam as suas vidas para que o direito internacional humanitário seja cumprido", acrescentou.
Por essa razão, Dora Lemos salientou a "grande preocupação" sobre o desaparecimento do grupo que, nos contactos feitos anteriormente, tinha adiantado que as negociações com as autoridades do leste da Líbia se encontravam bloqueadas.
"Os repetidos pedidos de reunião para finalizar os pormenores da receção e entrega da ajuda humanitária, juntamente com os especialistas que seguem a bordo, não receberam qualquer resposta concreta", explicava o grupo num comunicado anterior.
Os organizadores consideram que "o genocídio e o bloqueio de Gaza continuam" e que o povo palestiniano "não pode esperar que este absurdo burocrático seja resolvido para receber socorro e ajuda".
"Cada artigo transportado está meticulosamente documentado. Todos os participantes estão comprometidos com uma ação civil e não violenta. Cada passo é dado em conformidade com o direito internacional", explicou a organização.
O grupo recorda ainda a recente interceção de 50 embarcações da flotilha Global Sumud e a "detenção brutal e ilegal" dos participantes em águas internacionais quando se dirigiam para Gaza.
"O direito do povo palestiniano a receber ajuda e a controlar as suas próprias fronteiras não é um pedido: é uma obrigação legal e moral de todos os Estados e instituições que afirmam defender os direitos humanos", concluiu.
Entretanto, o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, citado pela agência noticiosa ANSA, confirmou hoje em Roma que dois italianos integrados no grupo detidos na Líbia durante o fim de semana foram transferidos para Benghazi (1.040 quilómetros a leste de Tripoli), acrescentando esperar que regressem em breve ao país.
"Devem comparecer esta manhã perante um juiz, pelo que espero que o magistrado determine o seu regresso a Itália", declarou Tajani aos jornalistas sobre os dois cidadãos italianos.
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