O CEO da Saudi Aramco antecipa que, nos próximos dias, consiga restabelecer 70% da produção normal, evitando o estreito de Ormuz.
No primeiro comentário público desde que o conflito no Irão paralisou
o mercado petrolífero, o responsável pela maior produtora de petróleo do mundo alertou
para os efeitos de uma guerra duradoura. Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco,
explicou que a empresa pode desviar mais petróleo bruto para uma rota
alternativa que evite o estreito de Ormuz, mas não pode exportar as quantidades
normais devido a restrições de capacidade.
Amin Nasser, CEO da Saudi AramcoGian Ehrenzeller/Keystone via AP
“Haverá consequências catastróficas para o mercado
petrolífero mundial quanto mais tempo durar a interrupção, e mais drásticas
serão as consequências para a economia global”, disse Nasser, numa conference call
com analistas após a apresentação de resultados. “Embora tenhamos enfrentado
perturbações no passado, esta é de longe a maior crise que a indústria de
petróleo e gás da região já enfrentou”, alertou, em declarações citadas pela
Bloomberg.
Embora tenhamos enfrentado perturbações no passado, esta é de longe a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou.Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco
Amin Nasser recusou divulgar os níveis de produção atuais da
petrolífera, mas antecipou que conseguirá exportar cerca de 70% do normal dentro
de poucos dias. O CEO declarou que a empresa está a trabalhar para aumentar
rapidamente as exportações do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, o que permitirá
que cerca de 5 milhões de barris por dia cheguem ao mercado global sem terem de
atravessar o Estreito de Ormuz.
A Arábia Saudita exporta normalmente cerca de 7 milhões de
barris por dia, sendo que apenas uma pequena parcela sai do Mar Vermelho,
enquanto a maior parte do seu crude parte da costa leste em direção ao Golfo
Pérsico. De acordo com dados avançados pela Bloomberg, a Arábia Saudita está a
reduzir a produção até 2,5 milhões de barris por dia, juntando-se aos Emirados
Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, que também estão a produzir menos devido aos
ataques de Israel e dos EUA ao Irão.
A maior petrolífera do mundo viu os lucros ajustados do
trimestre recuarem em 1,9% para 25,1 mil milhões de dólares, em linha com as
estimativas dos analistas compiladas pela Bloomberg. O “free cash flow” da
empresa — fundos remanescentes das operações após contabilizar investimentos e
despesas — subiu para 27,5 mil milhões de dólares no trimestre, o que cobriu o
dividendo total pelo segundo trimestre consecutivo.
A empresa pretende aumentar o dividendo base para 21,9 mil
milhões de dólares para o trimestre que terminou a 31 de dezembro, um aumento
de 3,5% em relação aos três meses anteriores. O pagamento mais elevado
beneficiará o Governo saudita e o fundo soberano, que juntos detêm mais de 97%
da Aramco.
A petrolífera anunciou também um programa de recompra de ações inédito, no
valor de 3 mil milhões de dólares, durante o qual planeia recomprar até 350
milhões de ações ordinárias nos próximos 18 meses. A Aramco – que tem uma
capitalização de 1,7 biliões de dólares – vai avançar com o programa numa
altura em que as ações ganham quase 12% este ano.
Maior petrolífera do mundo alerta para efeito “catastrófico” de guerra duradoura no Irão
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