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Lula da Silva e Governo do Brasil criticam tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos

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Esta terça-feira, os Estados Unidos propuseram a aplicação de tarifas de 25% sobre todas as mercadorias de origem brasileira, argumentando as políticas comerciais do Brasil prejudicam o comércio norte-americano.

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, assim como o Governo teceram duras criticas à decisão dos Estados Unidos de taxar os produtos brasileiros em 25%. "Não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro", declarou Lula, afirmando que tem "muita sorte", uma vez que a China reconheceu hoje que todo o território brasileiro está livre de febre aftosa, abrindo portas à importação de carne do Brasil.

Lula da SIlva foi surpreendido com o anúncio dos EUA de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros
Lula da SIlva foi surpreendido com o anúncio dos EUA de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros ANDRE BORGES/LUSA_EPA

A notícia surpreendeu Lula que esteve reunido há três semanas com Donald Trump na Casa Branca, altura em que os dois líderes estabeleceram um prazo de 30 dias para a negociação do "tarifaço". Entre as razões que levaram Washington a tomar esta decisão estão o PIX (sistema concorrente de cartões de crédito como Visa e Mastercard), o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção, proteção de propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol. A nova tarifa entra em vigor no dia 15 de julho.

O Governo brasileiro também manifestou indignação com a decisão, classificando a medida como injustificada e politicamente motivada. Numa nota divulgada, o executivo criticou as conclusões divulgadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da investigação aberta sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Uma investigação iniciada em julho de 2025 que estaria relacionada com as tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil, além de ter sido estimulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Palácio do Planalto menciona a recente viagem do senador e pré-candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro a Washington e afirma que interesses eleitorais e familiares estariam a prejudicar os esforços diplomáticos realizados entre os dois países. "É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares", acrescenta.

O executivo também rejeitou as alegações que fundamentam a investigação, defendendo que "não existe justificativa económica" para a adoção de tarifas contra produtos brasileiros ou mecanismos de pagamento como o PIX. O Governo destacou que os EUA acumulam superávit comercial com o Brasil há vários anos, com saldo favorável aos norte-americanos da ordem dos 424,5 mil milhões de dólares (364,6 mil milhões de euros) entre 2011 e 2025.

Apesar das críticas, o executivo informou que as negociações comerciais entre os dois países continuam em curso com o objetivo de alcançar uma solução antes da conclusão da investigação da USTR, prevista para 15 de julho. Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou hoje, em entrevista, que não pediu "expressamente" para Trump taxar o Brasil durante a reunião que tiveram na Casa Branca, na semana passada.

Com Lusa

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