O objetivo é delinear a agenda legislativa para os próximos meses, antes das eleições intercalares de novembro, que decidirão a continuidade do mandato do Presidente americano.
Congressistas republicanos estão reunidos no estado norte-americano da Florida para um importante encontro estratégico com o objetivo de discutir formas de evitar que a guerra contra o Irão lhes custe as eleições intercalares.
Donald Trump à entrada para o Air Force OneAP Photo/Matt Rourke
A conferência, que ocorre num momento em que o preço do barril de petróleo está a disparar acima de 100 dólares (86 euros), acontecerá ao longo de três dias a portas fechadas numa propriedade do Presidente norte-americano, Donald Trump, perto de Miami.
O objetivo é delinear a agenda legislativa para os próximos meses, mas também refinar o roteiro estratégico dos republicanos antes das eleições intercalares de novembro, que decidirão o controlo do Congresso e, portanto, a continuidade do mandato do Presidente americano.
Mas a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão há cerca de dez dias --- e a incerteza em torno da dimensão do conflito --- ameaça comprometer esses planos.
Alguns na ala da direita não tardaram a expressar o seu descontentamento, como a ex-congressista ultraconservadora Marjorie Taylor Greene, que denunciou uma "traição" de Donald Trump à sua base eleitoral após o chefe de Estado ter prometido, durante a campanha presidencial de 2024, não envolver os Estados Unidos em conflitos no exterior.
A 'podcaster' conservadora Megyn Kelly afirmou ter "sérias dúvidas" sobre a operação norte-americana no Irão, apesar do seu apoio ao líder republicano.
Nos corredores do Capitólio, em Washington, alguns representantes eleitos da maioria também expressaram preocupação, como o congressista Warren Davidson, ex-oficial do Exército dos EUA, que questiona abertamente a possível duração da guerra.
As vozes dissidentes dentro do campo do Presidente ainda são minoria, mas podem tornar-se mais proeminentes com o tempo, especialmente porque as sondagens mostram que a maioria dos norte-americanos opõe-se à guerra.
Faltando menos de oito meses para as eleições, a perspetiva de uma guerra prolongada corre o risco de afetar a campanha de muitos republicanos.
"A política externa geralmente não desempenha um papel importante nas eleições intercalares (...), a menos que haja uma ligação direta com a forma como ela piora a vida das pessoas", disse à agência France-Presse (AFP) Todd Belt, professor de assuntos públicos da Universidade George Washington.
Com o aumento dos preços do petróleo, Todd Belt diz esperar que a economia norte-americana sofra "efeitos a longo prazo, que podem durar" até às eleições.
No entanto, o custo de vida deverá ser a principal preocupação dos americanos nesta campanha.
Quando os eleitores "veem o preço dos produtos subir mais rápido do que os seus próprios salários", consequências negativas são esperadas para aqueles no poder, explicou o especialista.
"E atualmente, esse alguém é Donald Trump", sublinhou.
Em 2024, o bilionário republicano colocou a inflação no centro da sua campanha vitoriosa.
Portanto, a incapacidade de reduzir os preços, principalmente nos postos de gasolina, ameaça desmobilizar parte do seu eleitorado em novembro, ou até mesmo levá-lo a votar nos democratas.
No domingo, o Presidente republicano tentou minimizar a alta global dos preços do petróleo, afirmando que representa "um preço muito pequeno a pagar pela paz e segurança dos Estados Unidos e do mundo".
"Só os tolos pensariam o contrário!", acrescentou o líder norte-americano.
No entanto, é improvável que essa mensagem repercuta positivamente entre os americanos, que são afeiçoados a veículos que consomem muito combustível.
"Talvez seja só impressão minha (...), mas não me parece muito inteligente ganhar uma eleição a falar sobre inflação e depois iniciar uma guerra que faz os preços do petróleo subirem 50% em quatro dias", ironizou o analista político Nate Silver, especialista em pesquisas de opinião.
Segundo Todd Belt, a melhor maneira de Donald Trump e os republicanos limitarem as consequências eleitorais ainda é pôr fim à guerra "muito em breve".
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