Nunca se ouviu falar tanto da Gronelândia como agora, mas os primeiros registos de habitantes da “terra verde" remetem à pré-história.
A Gronelândia tem atraído os holofotes nos últimos meses, especialmente devido às ameaças de Trump de invadir ou anexar a ilha que faz parte da Dinamarca e que considera ser essencial para os objetivos estratégicos norte-americanos. Mas afinal, o que sabemos sobre este território do Ártico?
Gronelândia está na mira dos EUAAP
A Casa Branca tem insistido que a Gronelândia é necessária “para a segurança nacional” dos Estados Unidos e que corre perigo iminente vindo da China e da Rússia, apesar de não existirem provas disso. A realidade é que a ilha situada entre o Atlântico Norte e o Ártico encontra-se próxima do Canadá, dos Estados Unidos e da Rússia, ocupando uma posição geográfica estratégica.
Em dinamarquês Grønland significa “terra verde”, mas em gronelandês diz-se Kalaallit Nunaat, ou "nossa terra". Ao nível de território a Gronelândia conta com 2.166.086 km², uma área superior à França, Grã-Bretanha, Espanha, Itália e Alemanha juntas. No entanto 81% da sua superfície está coberta de gelo, o degelo tem aumentado a sua importância estratégica e valor, uma vez que a terra está a ficar acessível para ser explorada.
A ilha conta atualmente com cerca de 56.600 habitantes, mais de 19 mil na capital, e integra a NATO desde a sua fundação, em 1949, como parte da Dinamarca. Os primeiros registos de habitantes remetem para a pré-história, 2.500 a.c., altura em que a cultura Saqqaq, de povos paleo-inuítes, ocupou o território. A maior parte dos vestígios desse período foram encontrados na região da Baía de Disko, na zona sudoeste da ilha.
No século X os noruegueses, que tinham acabado de povoar a Islândia, estabelecerem-se no sul da ilha, que na altura se encontrava desabitada, e mantiveram-se lá até ao final do século XV. Ainda hoje se encontram membros descentes da cultura paleo-inuítes Dorset a ocupar o norte e o oeste da ilha.
No século XIII povos indígenas circumpolares, especialmente Inuítes, chegaram à ilha depois de terem migrado da região que seria agora o noroeste do Canadá. No século XV os portugueses deram de caras com a ilha enquanto tentavam encontrar da rota marítima para a Ásia, tal como a SÁBADO revelou noutro artigo, nessa altura a bandeira portuguesa foi plantada na Gronelândia. No entanto, este ato nunca passou de “uma declaração de intenções” e os portugueses nunca chegaram a desembarcar na ilha. Ainda assim o interesse originou a primeira representação cartográfica da costa da ilha.
Só passados dois séculos navegadores do Reino da Dinamarca e da Noruega voltaram à ilha e estabeleceram uma presença escandinava permanente na região. Quando os dois reinos se separaram, em 1814, a Gronelândia passou a pertencer à coroa dinamarquesa e em 1953 a Constituição da Dinamarca pôs fim ao estatuto de colónia, integrando a ilha no estado dinamarquês.
No referendo de 1979 a Dinamarca concedeu autonomia regional à ilha e atualmente o rei Frederico X da Dinamarca é o chefe de Estado. Ainda assim o território tem um governo próprio, atualmente liderado por Jens-Frederik Nielsen, e um parlamento com 31 deputados.
Em 2008 foi votado outro referendo, que transferiu mais competências para o executivo local e desde 2009 que os gronelandeses são responsáveis por decidir sobre a utilização que as matérias-primas da ilha devem ter, enquanto Copenhaga continua a manter o controlo nas áreas da cidadania, política monetária, defesa e negócios estrangeiros. O governo local tem na pesca a sua principal fonte de rendimento e os minerais, tão desejados por Trump, não são muito aproveitados, existindo apenas duas minas em atividade, com uma produção limitada.
Em 2019 foi assinado um memorando de cooperação no setor dos metais e minerais entre os Estados Unidos e a Gronelândia e quatro anos mais tarde a União Europeia fez o mesmo. Bruxelas identificou na ilha 25 dos 34 minerais presentes na sua lista oficial de matérias-primas essenciais.
Relação com os Estados Unidos
Em 1946 os Estados Unidos ofereceram-se para comprar a Gronelândia por 100 milhões de dólares, oferta que Copenhaga recusou uma vez que considerada a ilha como parte integrante do reino. Ainda assim, os dois lados assinaram, em 1951, o Acordo de Defesa da Gronelândia, que permitiu aos Estados Unidos terem bases militares na ilha e que poderiam utilizar livremente, mas sem colocar em causa a soberania dinamarquesa.
Nos dias de hoje os norte-americanos ainda mantêm uma base militar ativa no nordeste da ilha, em Pituffik, que é um elo essencial para o seu escudo antimíssil. No entanto, na altura da Guerra Fria, os EUA tiveram várias bases funcionais.
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