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Governo Trump insta juíza a permitir ações contra imigração ilegal no Minnesota

O Governo realçou na segunda-feira, num documento judicial, que a operação tornou o Estado mais seguro com a detenção de mais de 3.000 pessoas que se encontravam no país ilegalmente.

O Governo norte-americano liderado por Donald Trump está a pressionar uma juíza para que rejeite os esforços do Minnesota e das suas maiores cidades para travar o aumento das ações contra a imigração ilegal.

Polícias fazem buscas numa casa no Minnesota, após ações contra imigração ilegal
Polícias fazem buscas numa casa no Minnesota, após ações contra imigração ilegal AP

O Departamento de Justiça classificou o processo, apresentado logo após o assassinato de Renee Good por um agente de imigração, como "juridicamente frívolo".

Os advogados sublinharam que o Departamento de Segurança Interna está a agir dentro das suas atribuições legais para aplicar as leis de imigração.

O Governo realçou na segunda-feira, num documento judicial, que a operação tornou o Estado mais seguro com a detenção de mais de 3.000 pessoas que se encontravam no país ilegalmente.

"Em resumo, o Minnesota quer poder de veto sobre a aplicação da lei federal", referiram os advogados do Departamento de Justiça.

O procurador-geral do Minnesota, Keith Ellison, disse que o governo está a violar a liberdade de expressão e outros direitos constitucionais com as suas operações sem precedentes.

Descreveu os agentes armados como mal treinados e disse que a invasão deve cessar.

O processo judicial apresentado em 12 de janeiro procura uma ordem para suspender ou limitar a ação de fiscalização.

Espera-se que mais ações sejam apresentadas, e não se sabe quando é que a juíza distrital Katherine Menendez tomará uma decisão.

Ilan Wurman, professor de direito constitucional na Faculdade de Direito da Universidade de Minnesota, duvida que os argumentos do Estado sejam bem-sucedidos.

"Não há dúvida de que a lei federal é suprema sobre a lei estadual, que a fiscalização da imigração está dentro do poder do governo federal e que o presidente, dentro dos limites legais, pode alocar mais recursos federais de fiscalização aos estados que têm sido menos cooperantes neste âmbito do que outros estados", analisou Wurman à agência Associated Press (AP).

Julia Decker, diretora de políticas do Centro de Direito Imigratório do Minnesota, manifestou frustração pelo facto de os defensores dos direitos dos imigrantes não terem forma de saber se os números das detenções e as descrições das pessoas sob custódia divulgadas pelo governo são precisos.

Cidadãos norte-americanos foram retirados à força das suas casas e veículos durante a onda de detenções no Minnesota.

"Estamos a falar de pessoas reais, sobre as quais potencialmente não temos ideia do que está a acontecer", alertou Decker.

Num processo separado, Menendez afirmou na sexta-feira que os agentes federais não podem deter ou utilizar gás lacrimogéneo contra manifestantes pacíficos que não estejam a obstruir as autoridades.

Good, de 37 anos, foi morta em 07 de janeiro quando movia o seu veículo, que bloqueava uma rua de Minneapolis onde estavam a atuar agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).

A administração Trump tem defendido que o agente, Jonathan Ross, disparou sobre a mulher em legítima defesa, versão contrariada pelas autoridades estaduais, que se baseiam em imagens divulgadas.

Desde o incidente a população tem confrontado os agentes repetidamente, apitando e gritando insultos contra o ICE e a Patrulha de Fronteiras dos EUA.

Em resposta, estes têm usado gás lacrimogéneo e agentes químicos irritantes contra os manifestantes.

Na semana passada, o presidente Donald Trump ameaçou invocar uma lei de 1807 e enviar tropas para o Minnesota, embora tenha recuado, pelo menos nas suas declarações públicas.

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