Hannah Natanson é acusada de "obter e divulgar informações confidenciais, ilegalmente, de um contratado do Pentágono".
O FBI fez buscas na casa da jornalista Hannah Natanson, do Washington Post, na madrugada de quarta-feira, - numa ação que o jornal considerou "altamente incomum e agressiva". As buscas fazem parte de uma investigação, que visa uma empresa contratada pelo governo. Segundo informou a procuradora-geral Pam Bondi, numa publicação na rede social X, a jornalista "estava a [tentar] obter e divulgar informações confidenciais, ilegalmente, de um contratado do Pentágono". Adiantou ainda que "o responsável pela divulgação está atualmente preso."
Agentes do FBIFoto AP/Leah Willingham
Apesar de o jornal garantir que Natanson não é o foco dessa investigação, a verdade é que os agentes, que apareceram "sem aviso prévio", revistaram a casa da jornalista e apreenderam dispositivos eletrónicos, segundo um e-mail enviado pelo editor-executivo do Washington Post, Matt Murray, aos restantes jornalistas do Washington Post. Entre os aparelhos apreendidos encontra-se um relógio Garmin, um telemóvel e dois computadores.
A procuradora-geral entretanto justificou esta ação ao dizer que "o governo Trump não irá tolerar divulgações ilegais de informações confidenciais que representam um grave risco à segurança nacional da nossa nação e aos bravos homens e mulheres que servem o nosso país" e adiantou ainda que a operação foi conduzida pelo Departamento de Justiça e pelo FBI a pedido do Pentágono. Grupos de defesa de liberdade de imprensa, entretanto, já condenaram o sucedido e criticaram a "tremenda intrusão pensada pela administração Trump.
Também o Washington Post lamentou esta ação "altamente incomum e agressiva", com o editor-executivo a garantir que nem o jornal nem Natanson foram informados de que seriam alvo de uma investigação. “Essa ação extraordinária e agressiva é profundamente preocupante e levanta questões e preocupações profundas sobre as proteções constitucionais ao nosso trabalho”, dizia um e-mail obtido pelo jornal The Guardian. “O Washington Post tem uma longa história de apoio à liberdade de imprensa. Toda a instituição defende essas liberdades e o nosso trabalho. É um sinal claro e assustador de que esta administração não vai impor limites aos seus atos de agressão contra a imprensa independente.”
Segundo o Washington Post, o mandado cita uma investigação sobre Aurelio Perez-Lugones, um administrador de sistemas em Maryland com autorização de segurança de nível máximo, que foi acusado de aceder e levar para casa relatórios de inteligência classificados. Como resultado dessa investigação, as autoridades encontraram documentos confidenciais na sua lancheira.
Sabe-se, contudo, que no mês passado a jornalista confessou que estava a receber chamadas de dia e noite de "funcionários federais que me queriam contar como o presidente Donald Trump estava a reescrever as políticas dos seus locais de trabalho, ao demitir colegas ou transformar as missões das suas agências". Num relato feito na primeira pessoa, Natanson afirmou ainda que o seu trabalhou resultou de 1.169 fontes “todos funcionários federais atuais ou antigos que decidiram confiar em mim para contar as suas histórias”, e disse ter obtido informações, de “pessoas dentro de agências governamentais, [que] não me deveriam contar”.
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