Economista avisa que Impacto do Brexit vai durar pelo menos uma década

Lusa 31 de outubro de 2018
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Augusto Mateus foi o coordenador global de um estudo promovido pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal sobre as consequências do Brexit para a economia e as empresas portuguesas, que foi divulgado esta quarta-feira, em Lisboa.

O economista Augusto Mateus afirmou, esta quarta-feira, que os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia constituirão um processo "lose-lose", em que ambas as partes perderão, e que perdurará durante pelo menos a próxima década.

Contudo, "neste jogo de soma negativa", as consequências do Brexit serão muito maiores para o Reino Unido do que para a União Europeia, considerou Augusto Mateus, alertando que o processo "é para durar e tem desafios muito importantes para a globalização".

Augusto Mateus foi o coordenador global de um estudo promovido pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal sobre as consequências do Brexit para a economia e as empresas portuguesas, que foi divulgado esta manhã, em Lisboa.

Segundo o economista, a elaboração do estudo revelou-se muito complexa porque "é mais fácil estudar a construção do que uma desconstrução".

É a primeira vez que se tenta estudar as consequências de um processo deste tipo, disse , para mais num contexto de forte incerteza.

Em termos gerais, o estudo aponta que o Brexit deverá provocar uma quebra entre 15% e 26% das exportações portuguesas para o Reino Unido e os seus impactos na economia portuguesa são transversais.

Contudo, salientou Augusto Mateus na conferência em que o estudo foi apresentado, "a resposta ao Brexit não pode ficar acantonada em meia dúzia de setores".

Para o economista, o Brexit vai ser necessariamente "menos 'clean' e mais 'hard'" e, para converter o que há de negativo em positivo, terá de ser feito "um grande esforço das instituições".

"Portugal não tem tempo, nem possibilidades para um nacionalismo virado para dentro, mas de uma defesa das possibilidades e potencialidades da economia no contexto desafiante do Brexit", acrescentou.

O economista deixou ainda outro alerta: "cuidado que não nos é indiferente que as coisas corram mal. Não temos nenhuma vantagem em que as coisas não sejam as mais positivas".

"Temos de aproveitar as mudanças da regra do jogo" e a vantagem que o cenário que venha a ser fixado seja o mais construtivo possível, defendeu, concluindo que isso "dá muito trabalho" e "não basta juntar uns funcionários ou burocratas em Bruxelas".

Ainda de acordo com Augusto Mateus, o Brexit é mais importante pela transformação da economia e da sociedade e pela redefinição global das condições de vida, porque as cadeias de produção e de serviços estão globalizadas.

"É preciso que Portugal viva o Brexit como um grande desafio, que pode correr mal, mas também como uma oportunidade", em que se crie a sério "um sector de cooperação entre sector privado e publico", entre Estado e cidadãos e, assim, ser possível "viver de forma adequada" o que não foi desejado.

O Reino Unido vai deixar a União Europeia em Março de 2019, dois anos após o lançamento oficial do processo de saída, e quase três anos após o referendo de 23 de Junho de 2016 que viu 52% dos britânicos votarem a favor do 'brexit'. Contudo, ainda não há acordo com Bruxelas sobre os termos da saída.
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