Dias decisivos para o futuro de França

Nuno Paixão Louro 01 de maio de 2017

No próximo domingo os franceses decidem quem será o seu novo presidente. Os dois candidatos, Macron e Le Pen, têm poucos dias para convencer o eleitorado

A menos de uma semana da segunda volta das eleições para a presidência da República, que acontece no domingo, 7 de Maio, os dois candidatos que vão disputá-la, Emmanuel Macron e Marine Le Pen, aproveitaram o feriado do 1 de Maio para intensificar as acções de campanha e convencer o eleitorado.

Macron, candidato independente do movimento En Marche, participou numa homenagem, pela manhã, a um jovem marroquino, Brahim Bouarram, que, a 1 de Maio de 1995, foi morto por extremistas de direita, à margem de um desfile da Frente Nacional (FN), na altura liderada por Jean-Marie Le Pen, pai da actual líder.

"Muita gente habituou-se, mas eu não", declarou Macron a um jornalista que lhe perguntou se a FN tinha mudado. "As raízes ainda estão lá. Elas estão vivas. As mesmas causas produzem os mesmos efeitos", disse ainda o candidato que garante não esquecer e que se tem desdobrado em participações em eventos contra o extremismo e o racismo, nos últimos dias.

Macron ameaça com o "Frexit"
Entretanto, Macron disse à BBC que, se se tornar presidente, vai empenhar-se em "reformar profundamente a União Europeia (UE) e o projecto europeu", uma vez que, segundo ele, "Permitir que a UE continue como está seria uma traição aos cidadãos". E previu ainda que, caso tudo continue como está "no dia seguinte teremos um ‘frexit’ ou a Frente Nacional outra vez".

Apesar destas declarações, o candidato do En Marche, confirmou que é um pró-europeísta convicto, "Mas ao mesmo tempo devemos enfrentar a situação, ouvir o nosso povo, ouvir aquilo que hoje está a irritar e a deixar muita gente impaciente" e reconheceu que a UE se tornou disfuncional e insustentável.

Por seu turno, a sua adversária política, Marine Le Pen, que até há uma semana liderou a FN, continua a tentar recuperar a diferença que a separa de Macron nas sondagens, de modo a tornar-se presidente.

Marine anuncia quem será o seu primeiro-ministro
Le Pen tenta conquistar votos entre os eleitores de direita ao anunciar que o gaullista Nicolas Dupont-Aignan será nomeado primeiro-ministro se for ela a vencer as eleições. A ideia pode ter conquistado alguns votos, porém causou uma onda de demissões no movimento Debout La France, que a apoia.

Também Marine Le Pen falou à BBC nesta segunda-feira, 1 de Maio. Na ocasião acusou Macron, ex-ministro da Economia do governo socialista de François Hollande, de ser o "candidato da continuidade". Recorde-se que o mandato de Hollande regista dos menores índices de popularidade de sempre.

A seis dias das eleições, a candidata da direita francesa tenta por todos os meios ligar Macron a Hollande. Num comício de campanha, nos arredores de Paris, acusou: "Emmanuel Macron é apenas François Hollande que pretende ficar agarrado ao poder".

Macron acusado de ser o rosto do mundo da finança
As críticas da deputada europeia ao seu concorrente não se ficaram por aí, identificando-o também como o representante do mundo financeiro: "O adversário do povo francês é sempre o mundo da finança e, desta vez, ele tem um nome, ele tem um rosto, ele tem um partido, ele apresenta a sua candidatura, ele chama-se Emmanuel Macron", disse perante milhares de pessoas.

Na última semana de campanha, o discurso de Marine Le Pen em relação ao euro registou uma alteração significativa. Se durante meses a candidata da Frente Nacional defendeu que o seu projecto económico passava pela saída imediata do euro e regresso ao franco, de modo a recuperar a soberania económica de França, numa entrevista publicada no domingo, 30 de Abril, já referiu que "uma transição do euro para uma moeda nacional poderá ser feita em um ano ou ano e meio".

O apoio do pai Le Pen
Na tradicional homenagem a Joana d’Arc, a 1 de Maio, em Paris, Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional, banido do partido em 2015, quando este era liderado pela filha, apelou ao voto em Marine que disse ser "uma filha de França".

As sondagens dão vantagem a Macron neste duelo, mas a verdade é que Marine Le Pen tem vindo a subir nas intenções de votos. Nestes próximos dias vão jogar todos os trunfos para seduzir os indecisos.

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