O país enfrenta uma grave crise energética após o corte do petróleo venezuelano, agravando apagões e queda no turismo.
Há mais de meio século que os Estados Unidos da América (EUA) impõem um embargo comercial a Cuba. Mas o país insular vive um desafio acrescido, enfrentando uma crise energética, na sequência do fim do fornecimento de petróleo venezuelano, que o ano passado colmatava cerca de 30% das necessidades energéticas de Cuba. A falta de combustível tem também afastado o turismo do país.
Crise de combustível afeta reabastecimento de aviões em CubaDR
"Face à imprevisibilidade e risco de agravamento das condições atuais, aconselha-se os viajantes a considerar o adiamento de deslocações não indispensáveis a Cuba até que a situação estabilize". A recomendação foi partilhada a 13 de fevereiro pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português, no Portal das Comunidades, no contexto do “agravamento da escassez de combustível em Cuba desde o início do ano”.
No dia anterior, a 12 de fevereiro, o administrador da Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida, confirmava o encerramento de dois dos quatro hotéis que o grupo hoteleiro tem em Cuba. Em declarações aos jornalistas, à margem do 35.º Congresso Nacional da Associação da Hotelaria de Portugal, o administrador revelou que planos da operação em Cuba são revistos a todo o momento e "vão suspendendo e encerrando temporariamente os hotéis, vão concentrando (os turistas) noutros, isto tem alguma dinâmica”.
Por que há falta de combustível em Cuba?
O principal problema está ligado ao corte de fornecimento por parte da Venezuela, após o sequestro de Nicolás Maduro por parte dos EUA – numa operação que vitimou 32 militares cubanos - e consequente influência na comercialização do petróleo venezuelano, já que Washington passou a controlar as exportações petrolíferas da Venezuela.
No final de janeiro, por exemplo, o governo venezuelano aprovou a revisão da Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos, abrindo o setor petrolífero do país à iniciativa privada. Poucas semanas depois, os EUA autorizaram cinco gigantes petrolíferas, entre as quais a espanhola Repsol, a retomar as operações na Venezuela sob a supervisão de Washington, emitindo uma licença que permite a estes grupos negociar com a empresa nacional venezuelana PDVSA.
Mulher empurra carro em HavanaEPA
A esta situação somam-se avarias frequentes nas centrais elétricas, provocando apagões diários. Segundo o MNE, desde “18 de outubro de 2024 têm ocorrido, ocasionalmente, quebras do sistema elétrico a nível nacional, afetando todo o país em simultâneo durante alguns dias, com consequências também a nível do abastecimento de água, gás e acesso a combustível”. No entanto, “embora vários hotéis e restaurantes disponham de geradores, os seus serviços podem ver-se mais limitados no caso de cortes muito prolongados”, porque também os geradores precisam de combustível.
No passado dia 5 de fevereiro, o sistema elétrico nacional sofreu um novo apagão parcial, afetando aproximadamente 3,4 milhões de pessoas em quatro províncias do leste da ilha. Três dias depois, o Governo cubano alertou as companhias aéreas internacionais que operam na ilha que iriam ficar sem combustível para aviões devido ao boicote petrolífero dos EUA. A dimensão do problema é tão grande, que na semana passada o governo cubano tornou obrigatório que os motoristas utilizassem uma aplicação conhecida como Ticket para marcar horários de abastecimento, de forma a evitar o caos nas bombas de gasolina.
A crise energética surge a par de uma crise económica, agravada pela forte inflação, contração económica e crescente uso do dólar, fruto de vários fatores: pandemia da Covid-19, endurecimento das sanções dos EUA e o impacto de políticas económicas e monetárias mal sucedidas.
Segundo a agência LUSA, um estudo fornecido à agência EFE pelo economista cubano Miguel Alejandro Hayes estima que o impacto económico do fim das exportações de petróleo venezuelano poderá significar uma queda de 27% no Produto Interno Bruto (PIB), um aumento de 60% nos preços dos alimentos e um aumento de 75% nos custos de transporte em Cuba.
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