Covid-19: China levanta restrições em Wuhan 76 dias depois. Mas aplicação controla movimentos

Lusa 07 de abril de 2020
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Todos os viajantes terão de utilizar obrigatoriamente uma aplicação nos telemóveis que junta uma série de dados de localização e de vigilância governamental que permitem demonstrar que estão saudáveis e que não estiveram recentemente em contacto com alguém contaminado com o novo coronavírus.

As autoridades chinesas levantaram esta terça-feira, 76 dias depois, as restrições à circulação em Wuhan, permitindo à população voltar a entrar e sair da cidade epicentro da pandemia da covid-19.

Wuhan coronavirus china
Wuhan coronavirus china EPA/ROMAN PILIPEY

Segundo reporta a agência Associated Press, a proibição, que tem servido de modelo a grande parte dos países afetados pelo novo coronavírus, terminou às 00h00 locais de quarta-feira em Pequim (17h00 em Lisboa), pondo cobro às medidas decretadas a 23 de janeiro passado.

Imediatamente após o fim da proibição, os cerca de 11 milhões de residentes podem já viajar sem qualquer autorização especial de e para Wuhan, tendo, no entanto, de seguir uma série de regras decretadas pelo Governo chinês.

Todos os viajantes terão de utilizar obrigatoriamente uma aplicação nos telemóveis que junta uma série de dados de localização e de vigilância governamental que permitem demonstrar que estão saudáveis e que não estiveram recentemente em contacto com alguém contaminado com o novo coronavírus.

As restrições na cidade em que se registou a maioria das 82.000 infeções detetadas na China, que causaram cerca de 3.300 mortos, têm vindo a ser aligeiradas nas últimas semanas, à medida que o número de novos casos tem descido.

Os últimos dados oficiais divulgados pelo Governo indicam que não se registou qualquer caso nas últimas 24 horas.

Imediatamente após a meia-noite local, centenas de passageiros preparavam-se para abandonar Wuhan, enchendo a estação ferroviária da cidade, relata, por seu lado a a agência France-Presse.

Nas várias estações de Wuhan era percetível uma relativa efervescência, à medida que as centenas de passageiros lá chegavam e aguardavam pelo comboio.

As forças de segurança chinesas, com megafones na mão, lembravam aos viajantes as medidas de higiene e o distanciamento de um metro entre as pessoas, enquanto dos altifalantes das diferentes estações ferroviárias saíam com elogios a Wuhan, "cidade de heróis".

No entanto, Wuhan continua a ser uma cidade enlutada pela pandemia na China, pois mais de 2.500 habitantes locais morreram, parte significativa do total de vítimas mortais registadas a nível nacional.

O número de comboios e de aviões que partem de Wuhan continua, para já, limitado, uma vez que estão ainda em vigor muitas das restrições às deslocações dentro da cidade, medidas que visam evitar qualquer ressurgimento das infeções.

Wuhan, na província de Hubei, é um importante centro da indústria pesada chinesa, em particular na vertente automóvel, e, à medida que as principais fábricas retomam a produção, os pequenos e médios empresários que garantem a maioria do emprego, continuam a sofrer com a falta de trabalhadores e de procura.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 75 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 290 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro de 2019, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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