O Presidente norte-americano negou em janeiro a possibilidade de vir a dar um indulto presidencial a Sam Bankman-Fried, condenado a 25 anos de cadeia por fraude e conluio. O cofundador da FTX procura agora um "indulto após cumprimento da sentença", que eliminaria os crimes do seu registo.
O infame cofundador da corretora de criptoativos FTX pediu, oficialmente, um indulto presidencial a Donald Trump. Dois anos após ter começado a cumprir a sua sentença de um quarto de século na prisão, Sam Bankman-Fried apresentou a documentação necessária ao Departamento de Justiça norte-americano para conseguir, de acordo com a Bloomberg, restabelecer os seus direitos como cidadão após ter completado a pena.
Sam Bankman-Fried Justin Lane/Epa
Caso consiga o que se chama de um "indulto após cumprimento da sentença", que só pode ser dado por um Presidente, o antigo magnata cripto conseguiria restabelecer certas liberdades civis, como, por exemplo, o direito ao voto, bem como eliminaria obstáculos à procura de emprego, habitação ou educação. Este indulto não se trata, assim, de um anulamento ou redução da sentença, mas sim de um "esquecimento" dos crimes após a pena ter sido cumprida.
Como CEO da FTX, Bankman-Fried foi um dos maiores doadores do Partido Democrata. No entanto, desde que Donald Trump assumiu a presidência dos EUA, o empresário de 34 anos tem utilizado as redes socais para elogiar a atual Administração e, em entrevista à Fox Business ainda na semana passada, afirmou que estava "absolutamente" à procura de um indulto presidencial. "Obviamente, como sabem, a decisão final caberia ao Presidente, não a mim", disse.
O segundo mandato de Trump à frente dos destinos dos EUA tem sido marcado por uma série de indultos, que já beneficiaram dezenas de arguidos por crimes de colarinho branco. Changpeng Zhao, antigo CEO da Binance, foi adicionado à lista em outubro do ano passado, com a Casa Branca a alegar que o caso de CZ, como é conhecido, foi alvo de uma "perseguição excessiva por parte da Administração Biden". No entanto, em entrevista ao New York Times no arranque do ano, Trump afirmou não estar disposto a conceder um "perdão" a Bankman-Fried.
As perdas dos utilizadores e investidores causadas pela queda da FTX ultrapassaram os 10 mil milhões de dólares.
A FTX chegou a estar avaliada em 32 mil milhões de dólares. O sucesso da corretora colocou o seu cofundador no topo do mundo dos criptoativos, mas o império começou a ruir em 2022, quando a plataforma de negociação de ativos digitais declarou falência, depois de ter registado saídas de capital na ordem dos milhares de milhões de dólares. O escândalo desencadeou uma crise no setor e vários segmentos do mundo das cripto nunca conseguiram recuperar da perda de confiança por parte dos investidores.
Por trás da falência da plataforma, defenderam os procuradores, esteve o desvio de milhares de milhões de dólares por parte de Bankman-Fried para o seu próprio "hedge fund", Alameda Research. Os fundos foram não só utilizados em investimentos de riscos e compras de imobiliário, bem como para financiar campanhas políticas. O cofundador da FTX foi condenado a 25 anos de prisão por crimes de fraude e conluio. As perdas dos utilizadores ultrapassaram os 10 mil milhões de dólares - uma fatura que incluiu investidores portugueses.
Além de um indulto presidencial, Bankman-Fried está ainda a recorrer da sua sentença junto do Tribunal Federal de Recurso de Nova Iorque. O antigo magnata cripto alega inocência e procura que a sua pena seja anulada. A decisão poderá ser proferida a qualquer momento.
Sam Bankman-Fried pede indulto presidencial a Trump após cumprir dois anos de prisão
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