Claudia Wuttke só soube que tinha sido violada quando as autoridades encontraram o computador do ex-marido e a chamaram para testemunhar. Na esquadra foi confrontada com várias imagens, onde aparecia de olhos vendados e a ser violada.
O caso assemelha-se ao da francesa Gisèle Pelicot. Tudo começou a 11 de junho de 2025 quando a Polícia Criminal de Lüneburg, na Alemanha, telefonou a Claudia Wuttke e pediu-lhe que se apresentasse para testemunhar sobre algo que estava relacionado com o seu ex-marido. Naquela mesma tarde, Wuttke, de 59 anos, dirigiu-se à esquadra e foi aí que lhe mostraram as fotografias. E reconheceu imediatamente a mulher: era ela mesma.
Esquadra da Polícia de DuisburgFoto: Malte Ossowski/Sven Simon/picture-alliance/dpa/AP Images
As autoridades alemãs encontraram vários vídeos num computador apreendido ao ex-marido, que mostravam uma mulher de olhos vendados aparentemente atordoada e a ser penetrada oralmente, vaginalmente e analmente. Às vezes era com um pénis, outras com um vibrador. E numa das ocasiões foi até com um taco de basebol.
Ao todo, foram-lhe mostradas 67 fotografias, que se acredita terem sido tiradas ao longo de 16 anos. Às autoridades disse não se lembrar de tais episódios, o que a levou a acreditar que tinha sido drogada. "Aquele foi o primeiro terramoto" disse ela à revista Der Spiegel. "Foi o pior choque da minha vida pelo menos até então."
O "segundo terramoto" veio em novembro e isso deixou-a "realmente sem chão", disse à publicação, sem conseguir conter as lágrimas. Foi nesse mês que ela soube que as investigações relativas a 65 dos 67 crimes haviam sido arquivadas. Segundo o Ministério Público de Hamburgo, os crimes prescreveram.
Este caso fez lembrar o da francesa Gisèle Pelicot, que ganhou manchetes em todo o mundo: nesse caso, a mulher foi drogada, violada e entregue a dezenas de homens para ser abusada sexualmente, por eles e pelo próprio marido. O caso foi meticulosamente documentado uma vez que o ex-marido guardou várias gravações dos abusos.
No caso de Wuttke, o ex-companheiro também gravou vários vídeos dos supostos abusos e violações. A diferença é que este caso pode ter um desfecho diferente uma vez que na Alemanha os casos de violação prescrevem ao fim de cinco anos - o que significa que apenas dois dos supostos crimes podem ser julgados.
Esses dois crimes surgem até nos ficheiros encontrados no computador: um deles remonta a 2021 e o outro envolve uma "arma perigosa", ou seja um taco de basebol
A primeira audiência judicial sobre estes dois casos entretanto já foi marcada para breve. Resta agora saber se os outros 65 crimes também acabarão em tribunal.
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