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Gisèle Pelicot descreve momento em que descobriu crimes do marido: "Era uma boneca de trapos"

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Durante mais de uma década, Dominique Pelicot drogou a mulher e convidou homens para a violarem enquanto estava inconsciente. Gisèle escreveu um livro.

Gisèle Pelicot tornou-se um símbolo de coragem por todo o mundo quando decidiu tornar público o julgamento do seu ex-marido, Dominique Pelicot, e de dezenas de homens que a violaram enquanto estava inconsciente. Agora, lança Um Hino à Vida, o livro em que relata o momento em que descobriu os crimes que Dominique praticava e a forma como a sua vida mudou depois do julgamento. 

Justiça francesa aumenta pena para violador de Gisèle Pelicot para 10 anos
Justiça francesa aumenta pena para violador de Gisèle Pelicot para 10 anos AP Photo/Lewis Joly

Pelicot, de 73 anos, relata que em novembro de 2020 Dominique foi interrogado pela polícia depois de ter sido apanhado a tirar fotografias debaixo de saias de mulheres num supermercado. Gisèle acompanhou-o até à esquadra e foi então que lhe contaram toda a verdade. Segundo o , no livro escreve que o agente da polícia a avisou que lhe ia mostrar imagens e vídeos que não iam ser do agrado dela mas nada a podia preparar para o que viu. Não conseguiu acreditar quando se viu deitada na cama como uma “boneca de trapos”. "O meu cérebro parou", descreve. 

Durante mais de uma década, Dominique Pelicot esmagou comprimidos para dormir na comida da ex-mulher e convidava homens para a violarem enquanto estava inconsciente numa vila a sul de França onde o casal morava. Um total de 51 homens foram considerados culpados de violação e assédio sexual. 

Nos extratos do livro, a mulher explica o porquê de ter tornado o julgamento público, por achar que à porta fechada acabava por proteger os abusadores. Também não queria estar sozinha com eles numa sala de tribunal - “refém dos seus olhares, das mentiras, da cobardia e do seu desprezo”. 

“Ninguém saberia o que fizeram comigo, nenhum jornalista estaria lá para escrever os seus nomes ao lado dos seus crimes, e acima de tudo, nenhuma mulher poderia entrar e sentar-se no tribunal para se sentir menos sozinha”, escreve.

Contudo, explica que se tivesse menos 20 anos, talvez optasse por um julgamento à porta fechada. “Teria medo dos olhares que mulheres da minha geração sempre sofreram, os olhares que supostamente te devem dizer quem és, o que vales e depois te abandonam quando envelheces”, conta. 

O seu livro, escrito em conjunto com a autora francesa Judith Perignon, vai ser lançado a 17 de fevereiro e será traduzido para 22 línguas, incluindo português. 

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