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Supermercados públicos são o principal projeto-piloto de Mamdani para Nova Iorque

O armazenamento e a distribuição centralizados reduziriam os custos operacionais e a poupança seria repercutida nos consumidores na forma de preços mais elevados.

Os supermercados públicos com preços baixos para combater o elevado custo de vida é uma das principais medidas do autarca democrata eleito de Nova Iorque, Zohran Mamdani, e embora ainda não se tenha concretizado, já levanta dúvidas e questões.

Supermercados públicos são o principal projeto-piloto de Mamdani para Nova Iorque
Supermercados públicos são o principal projeto-piloto de Mamdani para Nova Iorque

Eleito com a promessa de reduzir o custo de vida na metrópole norte-americana, o presidente da câmara, de 34 anos, que toma posse em 1 de janeiro, prometeu, entre outras coisas, ajudar os 1,4 milhões de nova-iorquinos que enfrentam a insegurança alimentar.

Mas o seu plano de criar cinco supermercados públicos (um por distrito) já está a gerar críticas por parte do setor e perplexidade entre os especialistas, que o consideram ainda demasiado vago nesta fase, noticiou na sexta-feira a agência France-Presse (AFP).

A ideia geral é que estas lojas sejam construídas em terrenos municipais, isentas de rendas e impostos.

O armazenamento e a distribuição centralizados reduziriam os custos operacionais e a poupança seria repercutida nos consumidores na forma de preços mais elevados.

Como seria de esperar, profissionais do retalho, como o magnata dos supermercados John Catsimatidis, aliado de Donald Trump, protestaram de imediato contra o que consideram ser um ataque às regras de mercado.

"Como é que esperam que concorramos com isto?", questionou.

Nevin Cohen, professor associado do Instituto de Políticas Alimentares da Universidade da Cidade de Nova Iorque (CUNY), acredita que o plano ainda é "bastante vago".

"O novo executivo não especificou o tipo de supermercados previsto, a sua localização ou o seu modelo de negócio", sublinhou à AFP.

Além disso, o projeto complementa um programa já existente denominado FRESH, que utiliza incentivos fiscais e de planeamento urbano para incentivar a abertura de supermercados (propriedade privada) em zonas carenciadas, que são também as mais desfavorecidas.

Em East New York, um bairro de baixo rendimento em Brooklyn, um supermercado Fine Fare foi inaugurado em 2023 no rés-do-chão de um prédio de apartamentos.

A seleção de produtos frescos é variada e os preços são particularmente baixos para a cidade de Nova Iorque.

Laura Smith, diretora adjunta do departamento de planeamento urbano da cidade, está satisfeita com o facto de o programa FRESH ter "incentivado a abertura de mais supermercados", cerca de quarenta no total, em bairros de baixo rendimento.

Segundo o programa, os promotores imobiliários que concordem em incluir uma loja num edifício de apartamentos estão isentos de muitos impostos, desde que cumpram as regras, incluindo um grande espaço dedicado a produtos frescos.

O programa, lançado em 2009 durante a administração de Michael Bloomberg, continua em vigor desde então e está previsto na lei.

Mas Zohran Mamdani manifestou reservas quanto à sua filosofia subjacente.

"Enquanto a cidade de Nova Iorque já gasta milhões de dólares a subsidiar os operadores privados de supermercados, deveríamos redirecionar os fundos públicos para uma alternativa pública genuína", defendeu.

"Não posso comentar os planos da próxima administração, mas posso afirmar com certeza que há espaço para diversas formas" de facilitar o acesso aos alimentos, frisou Laura Smith.

O programa FRESH tem sido "moderadamente eficaz", segundo o especialista Nevin Cohen, que acredita que permite sobretudo que as pessoas evitem longas viagens para fazer compras.

Mas o seu alcance continua a ser limitado, dada a dimensão da cidade, que possui mil supermercados.

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