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Vídeos descontextualizados circulam nas redes sociais após desastre na Venezuela

Lusa 27 de junho de 2026 às 12:54

Entre as publicações estão vídeos e imagens de alegadas explosões, tsunamis, derrocadas de edifícios e danos em infraestruturas como consequência do sismo.

Conteúdos enganadores estão a circular nas redes sociais, atribuindo vídeos descontextualizados ou imagens de incidentes anteriores, sem relação com o duplo sismo que afetou a Venezuela na quarta-feira, um padrão comum após desastres.

Moradores caminham pelos destroços dois dias depois dos sismos na Venezuela Foto AP/Fernando Vergara

Entre as publicações estão vídeos e imagens de alegadas explosões, tsunamis, derrocadas de edifícios e danos em infraestruturas como consequência do sismo, que, segundo a EFE Verifica, não têm qualquer relação com o desastre na Venezuela.

Um dos vídeos mais partilhados, com mais de 400 mil visualizações no Google, mostra uma alegada explosão no metro de Caracas provocada pelo sismo de 24 de junho, mas a gravação corresponde, na verdade, a uma explosão ocorrida em 2021 devido a uma falha no sistema de metro de Caracas.

Foi também partilhado um vídeo antigo de um grande cano de água rebentado no bairro El Cafetal, em Caracas, apresentado como se tivesse sido causado pelo duplo sismo, mas, na realidade, embora as imagens correspondam a El Cafetal, o incidente ocorreu no final de maio, devido ao rompimento de um cano principal de água de 72 polegadas.

Circula também nas redes sociais um vídeo que mostra um tsunami que terá atingido La Guaira (a zona mais afetada pelos sismos), mas na verdade trata-se de um tsunami que atingiu o Japão em 2011, e não a Venezuela.

Estes casos mostram um padrão frequente após desastres naturais, uma vez que, na ausência de imagens verificadas de um acontecimento tão recente, a necessidade de ilustrar a tragédia leva à disseminação de material chocante, muitas vezes real, mas descontextualizado.

Os dois grandes sismos que foram registados na Venezuela, na quarta-feira, causaram pelo menos 929 mortos e 3.360 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Entre os mortos, há pelo menos 28 portugueses e luso-descendentes, e outros 85 estão desaparecidos.

Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.

Portugal e outros sete países da União Europeia vão enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.

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