Ucrânia: EUA analisam envio de mais armas nucleares para Europa
Como forma de tranquilizar os seus aliados.
Os Estados Unidos estão a avaliar a possibilidade de destacar armas nucleares em países europeus membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) como forma de tranquilizar os seus aliados, revelou esta terça-feira o Financial Times (FT).
Segundo o diário britânico, a intenção visa também demonstrar que a redução do apoio militar convencional não enfraquece as garantias de segurança.
O jornal, que cita três fontes familiarizadas com a medida, adiantou que responsáveis norte-americanos manifestaram disponibilidade para realizar destacamentos adicionais para além dos países que atualmente acolhem bombardeiros com capacidade nuclear.
As conversações, de caráter altamente confidencial e que poderão não conduzir a alterações nos acordos de partilha nuclear, decorrem num contexto de crescente preocupação na Europa face às medidas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para retirar tropas norte-americanas e sistemas de armamento críticos do continente, refere o jornal.
O FT refere que a medida poderia permitir que mais países passassem a acolher os chamados "aviões norte-americanos de dupla capacidade" (DCA, na sigla em inglês), capazes de efetuar ataques nucleares.
Segundo as fontes, a disponibilidade para discutir uma expansão visa demonstrar o compromisso dos Estados Unidos em assegurar um guarda-chuva nuclear, mesmo quando os aliados da NATO são pressionados a assumir uma maior responsabilidade na defesa convencional.
Vários países da Aliança Atlântica, como a Polónia e alguns Estados bálticos, manifestaram interesse em acolher bases de DCA.
O artigo acrescenta que responsáveis polacos, em particular, expressaram publicamente o desejo de acolher armas nucleares.
O ex-presidente da Polónia Andrzej Duda instou os Estados Unidos a alargar a iniciativa DCA ao território polaco e Varsóvia aderiu este ano a uma nova iniciativa francesa para explorar, pela primeira vez, a possibilidade de deslocar temporariamente parte da sua capacidade de dissuasão nuclear para países europeus aliados.
A invasão russa da Ucrânia e as repetidas declarações do Presidente russo, Vladimir Putin, sobre as capacidades nucleares do Kremlin reforçaram o interesse de alguns aliados em acolher bases de DCA, segundo as fontes consultadas pelo FT, que sublinharam, no entanto, que um eventual acordo não ocorrerá nos próximos tempos.