Trump pondera entrar no Irão para apreender urânio: missão pode ser uma das mais arriscadas de sempre
Presidente dos Estados Unidos analisa os riscos de uma operação ao 'estilo' da captura de Nicolás Maduro.
Apreender os cerca de 450 quilos de urânio enriquecido a 60 por cento que o Irão terá na sua posse é um dos grandes objetivos de Donald Trump, que não rejeita a possibilidade de enviar tropas especiais, como aconteceu na Venezuela, com a captura de Nicolás Maduro, ou com a execução de Bin Laden. O problema é que neste caso os militares norte-americanos enfrentariam perigos bem maiores, naquela que os analistas classificam como uma das missões mais arriscadas de sempre, conforme detalha o Wall Street Journal.
Uma operação para apreender o urânio à força seria complexa e perigosa, pois provavelmente provocaria uma forte retaliação do Irão, além de prolongar a guerra no Médio Oriente. Trata-se de um material que, apesar de não ser altamente radioativo, é muito sensível e, se for disperso como poeira ou partículas finas, pode ser inalado, contaminar o solo ou a água e afetar os rins e os tecidos.
Segundo o jornal, depois de localizarem os bunkers, as equipas das forças norte-americanas - unidades aerotransportadas ou fuzileiros navais - teriam de sobrevoar os locais, provavelmente sob fogo de mísseis terra-ar e drones iranianos. Em terra, as tropas de combate precisariam de assegurar a segurança dos perímetros, para que engenheiros com equipamentos de escavação pudessem verificar a presença de minas e armadilhas no local.
Uma vez encontrado, o material teria de ser manuseado por uma equipa de operações especiais de elite, treinada especificamente para remover material radioativo de uma zona de conflito. O urânio altamente enriquecido deverá estar contido em 40 ou 50 cilindros especiais, semelhantes a tanques de mergulho, e teriam de ser colocados em contentores de transporte para proteção contra acidentes. Isso poderia encher vários camiões, disse ao Wall Street Journal Richard Nephew, investigador da Universidade Columbia e ex-negociador nuclear com o Irão.
Se não houver nas imediações um aeródromo disponível, seria necessário improvisar um para receber o equipamento e retirar o material nuclear por via aérea. Toda a operação levaria dias ou até mesmo uma semana para ser concluída, disseram ainda os especialistas.
As forças especiais norte-americanas treinam para missões deste tipo há anos, mas esta poderia ser uma das mais arriscadas de sempre. Os Estados Unidos removeram urânio enriquecido no Cazaquistão, em 1994, numa operação denominada Projeto Safira. Em 1998, os EUA e o Reino Unido participaram numa operação para remover urânio altamente enriquecido de um reator perto de Tbilisi, na Geórgia; o material a ser levado para um complexo nuclear na Escócia.
Trump está a avaliar o risco e ainda não decidiu se vai dar a ordem mas, segundo o Wall Street Journal, permanece, de um modo geral, "aberto à ideia".
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