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Starlink oferece serviço de Internet por satélite de forma gratuita no Irão

Lusa 14 de janeiro de 2026 às 07:40

Tem sido a única forma de os iranianos comunicarem com o exterior desde que as autoridades cortaram a Internet.

O fornecedor de Internet por satélite Starlink está a oferecer agora serviço gratuito no Irão, disseram esta quarta-feira ativistas.
Irão tem estado sem internet AP
Mehdi Yahyanejad, um ativista radicado na cidade de Los Angeles, no sudoeste dos Estados Unidos, que ajudou a levar o equipamento para o Irão, disse à agência de notícias Associated Press que o serviço gratuito já estava disponível. Outros ativistas confirmaram também em mensagens online que o serviço era gratuito. "Podemos confirmar que a subscrição gratuita para os terminais Starlink está a funcionar em pleno", disse Yahyanejad, numa nota. "Testámos usando um terminal Starlink recém-ativado dentro do Irão", acrescentou. A Starlink tem sido a única forma de os iranianos comunicarem com o exterior desde que as autoridades cortaram a Internet na noite de quinta-feira, quando os protestos em todo o país aumentaram e iniciaram uma repressão sangrenta contra os manifestantes. A própria Starlink não se pronunciou de imediato sobre a decisão. No domingo, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que planeava ligar ao empresário Elon Musk para discutir o posicionamento de satélites Starlink para "manter a internet a funcionar" no Irão. Com a internet em baixo, avaliar o impacto das manifestações a partir do estrangeiro tornou-se mais difícil, apesar dos iranianos terem na terça-feira conseguido voltar a fazer chamadas internacionais. O Irão está a ser agitado por uma vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país. A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão. As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à morte de manifestantes detidos. O número de mortos nos protestos contra o regime do Irão subiu para pelo menos 2.571, avançou uma organização não governamental (ONG) criada por exilados iranianos. De acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos, 2.403 dos mortos eram manifestantes e 147 estavam ligados ao Governo. O grupo afirmou na terça-feira que 12 crianças foram mortas, juntamente com nove civis que não participavam nos protestos. O número de detidos também aumentou para mais de 18.100.
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