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Reino Unido sem comida num ano caso não haja acordo no Brexit

08.08.2018 11:42 por David Oliveira com Leonor Riso
No caso de um Brexit sem acordo, o Reino Unido terá de se tornar mais auto-suficiente para impedir que fique sem mantimentos.
Foto: Getty Images
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Brexit afecta agricultura britânica

A União Nacional de Agricultores do Reino Unido (NFU) prevê que exactamente daqui a um ano o Reino Unido fique sem comida se abandonar a União Europeia (UE) sem acordo. Minette Batters, presidente desta união, pede ao governo que coloque a produção alimentar no topo da agenda política, devido à possibilidade de ser realizado um Brexit sem acordo.

"O sector agrícola tem potencial para ser o mais afectado se se concretizar um mau Brexit. É essencial para este sector que seja celebrado um acordo de livre comércio com a UE, sem que haja atrito", disse Batters, citada no The Guardian. A preocupação da presidente da NFU deve-se a Dominic Raab, ministro do Brexit, ter dito que haverá "alimentos suficientes" depois do Brexit.

A confiança do responsável pela negociação do Brexit contrastou com a de Liam Fox, membro do parlamento britânico que afirmou no fim-de-semana que havia "60% de hipóteses" de ser feito um Brexit sem acordo. Este aviso só intensificou a preocupação da União Nacional de Agricultores.

A auto-suficiência do país tem estado em declínio nos últimos anos, pois se há 30 anos o país conseguia produzir 74% do que precisava, agora apenas produz 60%, segundo os números do Departamento do Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (Defra). Uma pesquisa da NFU revela que, se não for conseguido um Brexit com acordo, no dia 7 de Agosto de 2019 o Reino Unido ficará sem mantimentos, caso esteja dependente do que produz no território nacional.

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A presidente da NFU disse que as consequências da saída sem acordo poderiam ser suavizadas, se o governo desse total apoio à produção doméstica. A alteração dos hábitos alimentares também contribuiu para a crescente dependência de produtos estrangeiros.

Segundo os dados de 2017 do Conselho de Desenvolvimento Agrícola e Hortícola, o Reino Unido é um exportador de carne, no entanto precisa de importar bacon da Dinamarca e importa 25% da carne de porco que consome. No que se refere aos vegetais e fruta precisa de importar 43% e 25% de batatas. Em relação ao leite, queijo e ovos, o país importa muito mais do que aquilo que exporta.

Minette Batters vê o Brexit como uma oportunidade para reequilibrar a balança da produção de comida: "Reconheçamos a necessidade de importar alimentos que só podem ser produzidos em climas diferentes. Mas, se maximizarmos os alimentos que produzimos no Reino Unido, isso trará uma série de benefícios económicos, sociais e ambientais para o país".


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