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Médio Oriente: Israel acusa Hezbollah de matar dois soldados da ONU no Líbano

Lusa 31 de março de 2026 às 16:08

Mais de 1.200 pessoas já morreram devido à guerra em curso entre Israel e o Hezbollah e o número de feridos ultrapassa os 3.500, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.

O embaixador israelita junto da ONU responsabilizou esta terça-feira o grupo xiita libanês Hezbollah pelo ataque que matou na segunda-feira dois militares da missão de paz no Líbano (FINUL), embora a organização refira uma "explosão de origem desconhecida".

Soldados das Forças de Defesa Israelitas AP

"Relativamente ao ataque ocorrido ontem [segunda-feira], dia 30 de março, podemos confirmar que as forças da FINUL foram atingidas por engenhos explosivos do Hezbollah num incidente perto de Bani Hayyan, no sul do Líbano", afirmou Danny Danon aos jornalistas, minutos antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU convocada para abordar os ataques à Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL).

Dois “capacetes azuis” (como são conhecidos os militares que integram as missões de manutenção da paz) da FINUL, naturais da Indonésia, foram mortos no sul do Líbano na segunda-feira, quando uma "explosão de origem desconhecida" destruiu o veículo em que seguiam perto de Bani Hayyan, indicou a ONU.

Outros dois soldados ficaram feridos no mesmo ataque, um deles com gravidade.

No domingo, num incidente separado, outro “capacete azul”, também indonésio, foi morto em Ett Taibe.

Na sequência destes acontecimentos, a ONU anunciou uma investigação para determinar os contornos dos incidentes mortais.

Como alegada prova da autoria do Hezbollah do ataque de segunda-feira, Danon exibiu um mapa que mostrava quatro posições de ataque do grupo xiita pró-iraniano em direção a Israel nos dias 09, 11 e 14 de março, numa localização perto das tropas da FINUL.

"É possível ver a proximidade. Colocam os lançadores mesmo ao lado da posição da ONU, colocando o pessoal da ONU na linha de fogo. Não é coincidência. É assim que o Hezbollah opera, a partir de zonas civis e perto de posições da ONU, deixando as forças de manutenção da paz na linha de fogo", afirmou o representante diplomático israelita, frisando que Telavive está em coordenação com a FINUL "para reduzir os riscos".

Danny Danon avançou ainda que partilhou as conclusões da investigação israelita com a própria FINUL.

Os ataques contra "capacetes azuis" aconteceram em pleno conflito entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, que se juntou à guerra no Médio Oriente para apoiar o Irão após o assassínio do então líder supremo iraniano Ali Khamenei, na sequência do ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro.

A morte dos três "capacetes azuis" no sul do Líbano levou o Conselho de Segurança da ONU a reunir-se  de emergência, a pedido da França.

"O Governo libanês comprometeu-se a desarmar o Hezbollah e a destacar as suas forças no sul. Não fez nenhuma das duas coisas. Há uma discrepância entre as declarações e a realidade. Até que isso mude, ninguém estará a salvo", avisou esta terça-feira Danon, em declarações aos jornalistas, na sede da ONU, em Nova Iorque.

"Não temos qualquer desejo de permanecer no Líbano. Trata-se de proteger as nossas comunidades e afastar a ameaça da nossa fronteira. Os apelos à desescalada que ignorem a realidade não resolverão a situação. Precisamos também de lembrar que o mandato da FINUL termina este ano. O Hezbollah ainda lá está. Israel continuará a tomar medidas para proteger os seus cidadãos desta ameaça terrorista", concluiu.

Na segunda-feira, ao abordar os ataques à FINUL, Jean-Pierre Lacroix, subsecretário-geral para as Operações de Paz da ONU, manifestou preocupação com o aumento da presença e ataques das Forças de Defesa de Israel (IDF) no Líbano.

"Com base no que estamos a assistir, assim como em várias declarações das autoridades israelitas, e também nas ordens de retirada de civis, certamente parece que podemos acabar com, diria, uma zona tampão alargada no sul do Líbano", declarou o subsecretário-geral.

No domingo, o primeiro-ministro israelita disse que "ordenou a expansão da zona de segurança existente" no sul do Líbano, o que levará a uma maior ocupação militar israelita do país vizinho.

Benjamin Netanyahu justificou a decisão com a necessidade de "frustrar a ameaça de invasão e impedir o lançamento de mísseis antitanque na fronteira", argumentando que o Hezbollah ainda conserva "uma capacidade residual de lançar foguetes".

Mais de 1.200 pessoas já morreram devido à guerra em curso entre Israel e o Hezbollah e o número de feridos ultrapassa os 3.500, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.

A FINUL, que opera numa região no sul do país, junto à fronteira com Israel e supostamente vedada tanto aos militares israelitas como aos combatentes do Hezbollah, termina o mandato este ano. 

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