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Israel vai construir uma estrada que atravessa o coração da Cisjordânia

Débora Calheiros Lourenço 13 de janeiro de 2026 às 14:03

A área E1 abrange cerca de 3% de toda a Cisjordânia ocupada e cria um triângulo entre Jerusalém, Belém e Ramallah.

Israel vai começar a construir, no próximo mês, uma estrada que isolará o coração da Cisjordânia ocupada e consolidará a anexação de uma área crucial para a existência de um Estado palestiniano.
Estrada em construção atravessa Cisjordânia perto de Jerusalém AP Photo/Ohad Zwigenberg
A estrada é uma peça fundamental do projeto de construção de um novo colonato na área E1, no leste de Jerusalém, que fragmentaria toda a Cisjordânia. O ministro das Finanças israelita já referiu que os planos pretendem “”. Projetado como um corredor de trânsito fechado aos veículos palestinianos, o desvio dá um pretexto a Israel para impedir que os locais utilizem as estradas existentes na área onde ficará o colonato e apenas os veículos israelitas serão permitidos. Além disso, o planeamento da estrada passa por cima de casas na comunidade de As Saraiya, pelo que está prevista a sua demolição, enquanto comunidades como Elazariya, Abu Dis e Sawahra vão ficar isoladas dentro de blocos de colonatos. O desvio já foi batizado como “estrada da soberania”, assim que a sua construção foi aprovada em 2020 pelo então ministro da Defesa, Naftali Bennett, que celebrou o seu papel como instrumento de anexação: “Estamos a aplicar a soberania em atos, não em palavras”. Já os opositores ao projeto têm acusado Israel de querer construir uma “estrada do apartheid” por forçar os israelitas e os palestinianos a utilizarem sistemas de transportes diferentes. “Será também um instrumento para a limpeza étnica das comunidades palestinianas remanescentes na área. Eles querem a terra, não querem as pessoas”, considerou Hagit Ofran, especialista em colonatos do grupo israelita de defesa dos direitos humanos Peace Now. A área E1 abrange cerca de 3% de toda a Cisjordânia ocupada e cria um triângulo entre Jerusalém, Belém e Ramallah, que é crucial para o desenvolvimento e a prosperidade de um futuro Estado palestino. Se este colonato se concretizar, vai dividir o norte e o sul da Cisjordânia ocupada e isolará ainda mais Jerusalém Oriental das outras comunidades palestinianas. Quando Israel, aprovou formalmente o projeto E1 no ano passado, mais de 20 países, incluindo o Reino Unido, a França, o Canadá e a Austrália, condenaram essa decisão como uma violação inaceitável do direito internacional. Já em 2024, o Tribunal Internacional de Justiça da ONU decidiu que a ocupação israelita dos territórios palestinianos era ilegal e ordenou que Israel a encerrasse "o mais rápido possível. Ainda assim, desde então o governo israelita tem prosseguido com a expansão dos colonatos e enfrentado pouca oposição, seja interna ou internacional.
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